Materializando ideias Impressão 3D ao alcance de todos

Materializando ideias

                                                              Impressão 3D ao alcance de todos

Usuário doméstico tem à sua disposição a possibilidade de modelar e fabricar os próprios utensílios



Imagine um mundo em que você seja capaz de desenhar e produzir, em sua própria casa, a maior parte dos objetos do seu cotidiano. A perna dos seus óculos quebrou? Saiu um novo modelo de tênis? Ou então um boneco de ação para o seu sobrinho aniversariante? Para ter à mão esses utensílios, bastaria modelar a estrutura em um programa especial ou baixá-la da internet e encaminhá-la para uma impressora 3D.
Essa realidade alternativa do “faça você mesmo” não está mais tão distante. Vendo os exemplos de países como Japão e Estados Unidos, onde as impressoras 3D produzem em larga escala desde acessórios de moda a soluções medicinais, o mercado brasileiro dá os primeiros passos no segmento, com a produção de impressoras nacionais e empresas que imprimem, em 3D, o que o cliente desejar.

Impressoras brazucas
A primeira impressora 3D produzida no Brasil chegou ao mercado em junho de 2012. A Cliever CL-1 utiliza um método de impressão chamado modelagem por fusão de material. Neste método, a “tinta” utilizada é um fio de termoplástico, que é derretido e aplicado, camada a camada, para criar objetos em três dimensões. Para isso, o equipamento utiliza software livre, mas também é habilitado para trabalhar com outros programas de modelagem, como SketchUp (que conta com uma versão gratuita) e o AutoCAD.
Pelo fato de ser totalmente fabricada em território nacional, a máquina da Cliever custa R$ 4,5 mil, enquanto aparelhos importados chegam até a US$ 50 mil. O investimento para recarregar os “cartuchos” também não é tão alto: o quilo do termoplástico em forma de filamento tem custo em torno R$ 60.
Outro desenvolvimento brasileiro é a Metamáquina. O projeto buscava disponibilizar impressoras 3D de baixo custo no Brasil. Com investimentos arrecadados através de colaboradores da internet, a primeira Metamáquina teve 30 unidades vendidas. O aparelho usa dois tipos de plástico para imprimir: o ABS – mesmo material presente nas peças de Lego, feito a base de petróleo – e o PLA, matéria-prima de maior qualidade e ainda sustentável, já que é fabricada a base de milho.
A máquina também funciona com hardware aberto e software livre. A segunda versão do equipamento foi aprimorada para ser mais ágil na produção, além de permitir um maior volume de impressão, mais de duas vezes maior que no modelo anterior. O avanço possibilita a criação de peças de até 15cm de altura. A Metamáquina 2 já está em fase de pré-venda online, custando R$ 3,3 mil.

Encomendas online
Se você desejar materializar seus desenhos mas não estiver disposto a investir em um equipamento próprio, o site brasileiro “Imprima 3D” (www.imprima3d.com) facilita sua vida. Nele você pode encomendar a impressão de objetos em três dimensões, que são entregues pelo correio. Os preços variam, a depender do tamanho da peça e do material utilizado para confeccioná-la. Um anel sai por R$ 24,43. Uma capa para iPhone custa por R$ 52,97, enquanto um boneco de 8x8x7,8cm sai por R$ 509,47.

Ceará conta com equipamento de grande porte
Uma das poucas impressoras 3D de grande porte em operação atualmente no Brasil está em Fortaleza. O equipamento, a Viper Pro, está instalado no laboratório do Grupo de Redes de Computadores, Engenharia de Software e Sistemas (Great) da Universidade Federal do Ceará (UFC), no Campus do Pici.
Em funcionamento desde o final de 2005, a impressora 3D importada utiliza a tecnologia SLA (estereolitografia) para manufatura e prototipagem rápida. O objetivo é produzir peças de alta precisão e com finalização de superfícies, com acabamento refinado. De acordo com o designer Ronaldo Mota, a máquina usa uma resina fotossensível que se aproxima em dureza e resistência ao plástico normal. Para dar forma aos modelos desenhados em software de modelagem, a impressora trabalha por sobreposição com laser de alta potência, “colando” as superfícies feitas primeiro às seguintes.
A impressora está sendo utilizada em pesquisas nas áreas de design, arquitetura, engenharia e saúde. Mota relata um caso de aplicação médica dessa tecnologia, em que “a cirurgia foi realizada em um modelo, antes do paciente”. Graças ao acesso a uma tomografia tridimensional do crânio, foi possível imprimir uma réplica exata do órgão para estudo prévio. Demonstrando onde as intervenções cirúrgicas eram necessárias, o modelo 3D permitiu que o paciente fosse cortado uma única vez, em vez de duas ou três, como acontece sem o uso desta tecnologia.

Da casa à miniatura
“Hoje em dia, a aplicação está indo além dos limites”, diz Mota, por conta dos dois extremos da inovação na prototipagem rápida: o macro, em que máquinas estão sendo pensadas para montar peças para construir casas ou prédios; e o micro, voltado para nanotecnologia e micro-robôs.
Quanto à produção nacional e o barateamento dos equipamentos, “hoje está mais perto do que nunca de as pessoas terem impressoras 3D em casa”, afirma o designer. Mas com ressalvas: tais máquinas não têm “qualidade industrial” e não podem ser usadas para confeccionar peças de maior refino. Porém, para a utilização mais doméstica ou meramente para visualização, as impressoras 3D mais em conta são eficientes. Com uma dessas em casa, “um professor que quiser demonstrar as ligações atômicas, em vez de usar os palitinhos com bolinhas, mostrará um protótipo tridimensional”, exemplifica Ronaldo Mota.

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