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ANEURISMA DE AORTA, APESAR DE

 

 POTENCIALMENTE FATAL, É DETECTADA

 

 COM FACILIDADE

Dr. Alexandre Trevisan*

Diagnóstico precoce e tratamento reduzem a mortalidade por aneurisma de aorta.

O aneurisma de aorta é uma doença potencialmente fatal, no entanto, é de fácil detecção. O que permite que seja descoberta logo na fase inicial. A Artéria Aorta é o principal vaso condutor de sangue do corpo humano. Ela tem início no coração indo até a altura do umbigo, onde se divide levando sangue para as pernas através das artérias Ilíacas.

O aneurisma é toda dilatação acentuada de um vaso sanguíneo, é mais comum na Aorta e principalmente na porção abdominal. As estatísticas nos Estados Unidos demonstram que a cada cinco aneurismas na Aorta Abdominal uma rompe. A mortalidade quando ocorre rotura ultrapassa os 90% e quando diagnosticado e tratado fica entre 5% e 10%. Calcula-se em torno de 4 mil e 500 mortes ao ano nos EUA, sendo a terceira causa de morte súbita em homens acima do 60 anos. Com uma incidência em torno de 3% da população geral, é cinco vezes mais frequente em homens. Sendo mais comum em tabagistas, hipertensos e pode elevar a incidência a 20% em parentes de primeiro grau.

Cresce cada vez mais a importância do diagnóstico precoce, que normalmente aparece em exames para outros fins como Ultrassonografias abdominais. Dificilmente sintomas clínicos são detectáveis, o que se pode notar é uma “massa pulsátil” na barriga ou quando há rompimento surgem fortes dores no abdômen, flanco ou virilha. 

Quando feito o diagnosticado é necessário iniciar o tratamento. Já as indicações de cirurgia variam de paciente para paciente e do serviço médico que irá realizá-lo. Normalmente a intervenção cirúrgica acontece naqueles aneurismas que estão com um diâmetro acima de 5 cm ( 4,5 a 5,5cm) ou os que apresentam um crescimento acima de 1cm ao ano. Os menores enquadram-se no tratamento clínico, emagrecimento, controle rigoroso da pressão arterial, melhora da qualidade de vida (diminuição do stress), abandono do cigarro etc. O acompanhamento do tamanho é fundamental para o sucesso do tratamento.

Entre o tratamento cirúrgico há, basicamente, duas opções; o minimamente invasivo (endovascular) e a cirurgia “convencional”. O início do tratamento com endoprótese foi descrito pelo Dr. Parodi nos anos 90, e como novidade causou muita discórdia na época. Hoje já é uma opção de tratamento consagrada, que quando bem indicada pode superar até mesmo a técnica convencional. Muitos cirurgiões tiveram que voltar atrás e admitir a novidade

O envelhecimento da população faz com que o sistema de saúde se depare cada vez mais com esta doença. Basicamente não podemos nos esquecer de incluir a avaliação da Aorta abdominal nos exames de rotina. Principalmente em homens acima dos 60 anos e aparentados.

 

*Dr. Alexandre Trevisan - Formado em medicina pela Universidade Estadual de Londrina, pós-graduado em Angiologia e Cirurgia Vascular, possui títulos de especialista nas áreas de Cirurgia Vascular e Clínica Médica. É diretor Médico do Banco de Cordão Umbilical e integrante da Associação Brasileira de Terapia Celular. Atua na área a mais de 10 anos realizando exames diagnósticos (Doppler Vascular), cirurgias e pesquisas científicas.

Novas redes oferecem serviços de saúde com desconto de até 80%

Serviço mira quem não pode pagar plano, mas não quer depender do SUS; não há regulamentação

Um novo tipo de atendimento à saúde tem crescido à margem do SUS e dos planos de saúde: o das redes de descontos. São empresas que não se vendem como planos oficiais, mas dão descontos de até 80% em consultas, exames, internações e até cirurgias.

A prática é condenada por entidades médicas, como os conselhos federal e regional de medicina (CFM e Cremesp) e Associação Médica Brasileira (AMB) e por especialistas em saúde pública. Para eles, oferecer esse tipo de serviço é antiético e não garante a assistência integral à saúde.

Esse tipo de assistência preenche uma lacuna entre o SUS e os planos de saúde e tem atraído um público emergente que não quer ser atendido na rede pública, mas não pode pagar consultas ou planos particulares.

Uma pesquisa realizada para a Appi, empresa que fornece sistemas para cartões pré-pagos, por exemplo, apontou que esse mercado tem potencial para atrair 40,7 milhões de pessoas. Seis meses após a pesquisa, a Appi criou a Ônix para atuar no processamento das transações. A expectativa do diretor de pré-pagos, Alberto Techera, é que se movimente R$ 15 bilhões ao ano.

O sistema já existe em Americana (SP). Os parceiros cobram até 70% menos que os particulares. O cliente compra o cartão em uma farmácia (paga R$ 30 de taxa de adesão), faz a recarga ali ou no site da empresa, escolhe um médico da rede e paga com o cartão. O repasse do valor para o médico é feito quinzenalmente.

“Qual porcentagem da população pode pagar R$ 200 por uma consulta? Ou esperar três ou quatro meses pelo SUS?”, diz Diego Wenzel, sócio-diretor do Americana Cartão Saúde Pré-Pago.

Regulamentação. Um dos principais problemas desse tipo de serviço é que ele não é regulamentado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Ou seja, o consumidor não tem a quem reclamar.

Para o autônomo Teófilo Fernandes Lauton, de 32 anos, isso não é empecilho. Ele adquiriu o cartão há dois meses por não poder pagar a mensalidade de um plano. “Ser atendido pelo SUS é quase impossível”, disse.

O pai de Lauton tem um problema no ombro e tentou ser tratado pelo SUS por cinco vezes. “Fomos para um médico particular. Entre consulta e exames, gastamos uns R$ 400”, lembra. Com o cartão, o filho marcou consulta para a próxima semana por R$ 80. E terá 50% de desconto nos exames pedidos.

“O Brasil vive um problema grave de financiamento e gerenciamento do SUS. Esse tipo de serviço passa uma falsa ideia de ser um plano de saúde, mas não tem regulação. E a função dela é evitar que esse buraco informal cause prejuízos ao paciente”, avalia Gonçalo Vecina, professor de saúde pública da USP.

Convênio. Outra empresa que investiu nesse ramo é a ABMed Convênio Médico-Hospitalar. Ela vende convênios médicos cobrando anuidade, com as supostas vantagens de não ter mensalidade, limite de idade, carência ou restrição para doenças pré-existentes. “Funciona igual aos planos de saúde convencionais. A diferença é que aqui o associado recebe um guia com os médicos, laboratórios e hospitais cadastrados, e quando marcar a consulta, exame ou cirurgia, ele paga diretamente para o prestador de serviço”, diz Adilson Barbosa, proprietário da ABMed.

Por não ser um plano convencional, Barbosa diz que a empresa não precisa ser registrada na ANS. “Nunca tivemos problemas com negativas de cobertura porque são os clientes que pagam o serviço.”

Outra novidade é a venda de consultas no site Directsaúde, no ar há três meses, que vende consultas por R$ 54. Ele possui 565 médicos credenciados - 80% deles em São Paulo -, tem cerca de 5 mil usuários cadastrados e vendeu 1.049 consultas no período. Há médicos em bairros como Higienópolis e Pinheiros.

Nesses casos, a pessoa se cadastra gratuitamente, escolhe o profissional, agenda a consulta como “particular”, paga o valor no site, imprime o cupom e o apresenta no consultório.

Segundo Edson Ramuth, dono do site, a ideia surgiu para “tentar compensar” problemas crônicos do País. “Queremos ser a terceira opção”, afirmou. O site cobra 10% de taxa de administração e repassa o valor das consultas todos os meses aos médicos credenciados.

 

 

Índia completa 1 ano sem pólio, marco para a erradicação da doença

País que era o grande foco da doença poderá desaparecer da lista de nações endêmicas

 

A Índia completa nesta sexta-feira, 13, um ano sem registrar um caso de poliomielite e, se os testes confirmarem, o país que era o grande foco da doença até agora desaparecerá da lista de nações endêmicas da enfermidade.

O anúncio provém dos organismos que lutam para pôr fim à poliomielite, como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o governo indiano, uma doença viral que se transmite via fecal-oral através de água e alimentos contaminados.

"Estamos exultantes e esperançosos, mas ao mesmo tempo, atentos", expressou em comunicado o ministro da Saúde indiano, Ghulam Nabi Azad.

Ele enfatizou, no entanto, que as autoridades não devem se dar por satisfeitas com os resultados e que ainda terão de passar três anos sem um só caso de poliomielite para que se possa comemorar que a Índia se encontra completamente livre da doença.

Azad ressaltou que os avanços se tornam maiores quando se considera que, em 2009, os casos de pólio no país chegavam a 741, aproximadamente metade dos mundiais, "um aval dos incansáveis e persistentes esforços que realiza a Índia".

O último caso de pólio no país asiático foi registrado em uma menina de dois anos na região de Bengala no dia 13 de janeiro de 2011, um marco quando se compara com os 43 casos de 2010, os 741 de 2009, os 6.028 de 1991 ou os 150 mil de 1985.

"Já podemos dizer que não é ilusório erradicar a pólio no mundo", disse em entrevista coletiva em Genebra a encarregada das relações externas da Iniciativa Mundial para a Erradicação da Pólio da OMS, Sona Bari.

Fontes da OMS não indicaram, no entanto, quando a eventualidade da erradicação poderia ocorrer, dado que ainda restam outros três países, além da Índia, onde a pólio é endêmica: Paquistão, Afeganistão e Nigéria.

O que foi possível agora - embora deva se confirmar em seis semanas, quando todos os testes biológicos tiverem concluído - é que já não existe um vírus endêmico na Índia, um passo gigantesco quando se levam em conta as dimensões do país, de 1,2 bilhão de habitantes.

Durante as campanhas de imunização na Índia, as autoridades administram cerca de 2,3 milhões de vacinas sob a supervisão de 155 mil pessoas, que fornecem a vacina oral a cerca de 172 milhões de crianças menores de 5 anos em todo o país.

Bill Gates, magnata da Microsoft e copresidente da Fundação Bill & Melinda Gates, trabalha intensamente pela erradicação da pólio no mundo e declarou em comunicado que "este é um marco maiúsculo na luta global contra a pólio".

Segundo a Iniciativa Global para a Erradicação da Pólio (GPEI), o próximo objetivo será livrar o Sul da Ásia da pólio até 2014, um enorme desafio se levada em conta a possibilidade de contágio através das frágeis fronteiras da região.

Como indica a GPEI, 2011 registrou alarmantes altas do número de casos de pólio no Afeganistão e Paquistão. Uma vítima do Paquistão levou a doença à China, onde não se registrava nenhum caso de poliomielite desde 2009.

Na África, a doença continua ativa na Nigéria (onde é endêmica), Chade e República Democrática do Congo, com surtos nos últimos 12 meses no centro e leste do continente, o que lembra ao mundo que, enquanto existir, esta doença será uma ameaça para todos.

PREVENÇÃO

Alimentos alérgicos

Saiba como e porque tratar a alergia, a hipersensibilidade ou a intolerância alimentar

 

Oito alimentos - a maioria presente nas tão esperadas festas e confraternizações familiares - respondem por quase 80% das reações alérgicas causadas por alimentos, afirma a presidente da Associação Brasileira de Alergia e Imunopatologia (ASBAI), dra. Francisca Xavier de Melo Rego. São eles: leite de vaca, trigo, soja, ovo, peixe, frutos do mar, amendoim e castanhas.
Somente quem sofre com o problema sabe o quanto são desagradáveis os efeitos de uma alergia alimentar. E não é apenas pelo fato de estar proibido de consumir o tal alimento, mas também porque, se ingerido, ele pode causar sintomas que vão desde simples coceiras e inchaços até o mais grave e perigoso: a anafilaxia.
O risco para a alergia alimentar (AA) sofre influência de diversos fatores que incluem a falta do efeito protetor do aleitamento materno (muitas mães deixam de amamentar e/ou introduzem muito cedo o leite de vaca na dieta dos pequenos), idade em que os alimentos sólidos e alergênicos são colocados na dieta, a exposição nociva a poluentes, principalmente à fumaça de cigarro, e parto cesáreo.
Para a médica, que presidiu recentemente o XXXVIII Congresso Brasileiro de Alergia e Imunopatologia sediado em Fortaleza, "nas últimas décadas, temos observado um aumento da prevalência da alergia alimentar devido, principalmente, a essas mudanças no estilo de vida das pessoas, com a inserção de novos hábitos alimentares, que incluem alimentos industrializados e a diminuição do consumo de leite materno.

O que é intolerância
Antes de se aprofundar em alergias alimentares, é importante saber diferenciá-las das chamadas intolerâncias alimentares. Conforme a professora do curso de Nutrição da Universidade de Fortaleza (Unifor), mestre em bioquímica pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Ana Mary Viana Jorge, "a intolerância alimentar é uma manifestação adversa a um alimento não relacionada ao mecanismo imunológico, mas a alterações dos processos metabólicos de digestão e absorção de determinado componente do alimentos. Já a alergia descreve reações dependentes de mecanismos imunológicos IgE, sejam eles mediados ou não".
Vários são os mecanismos que levam ao desencadeamento das AAs, e até quem nunca apresentou alguma reação a determinados alimentos como caranguejo, por exemplo, pode, já adulto, manifestar sintomas. Dessa forma, se o paciente possui o gen para a alergia herdado do pai ou da mãe, a AA pode surgir em qualquer época de sua vida.
"Isso acontece, por exemplo, durante a introdução precoce de alimentos em crianças predispostas geneticamente. No caso do leite de vaca, elas passam a produzir muitos anticorpos IgE específicos para as proteínas do leite e apresentarão manifestações clínicas minutos ou horas após a introdução do alimento", explica a dra. Francisca Xavier.
Ressalta, por isso, a importância de orientar crianças que tenham histórico familiar de doença alérgica como forma de prevenir ou retardar o aparecimento do quadro alérgico.
É apenas a partir do histórico familiar que o médico pode iniciar a investigação da AA, para que o paciente possa ser orientado na prevenção da introdução de alimentos que são os mais frequentes provocadores de alergias (90% das alergias alimentares em crianças são causadas por leite, trigo, ovo, amendoim e soja, enquanto que, nos adultos, 85% são por amendoim, nozes, peixe e mariscos), o que pode evitar ou retardar o aparecimento.
Além da avaliação do histórico clínico, exames físicos, dieta de exclusão e teste de desencadeamento com a proteína suspeita são as formas ideais de precisar o aparecimento da alergia e o diferenciamento da intolerância alimentar. Na dependência dos mecanismos imunológicos envolvidos na gênese dos diferentes quadros de alergia alimentar, a abordagem laboratorial deve ser distinta.
Segundo a dra. Francisca Xavier, são três os tipos de manifestações de AA. O primeiro e mais comum, é a rápida instalação com manifestações clínicas como urticária, edema de face e de glote, crises de asma e anafilaxia (forma mais grave da doença, na qual o paciente apresenta hipotensão com colapso respiratório e cardíaco, podendo até ser fatal). O segundo é mais tardio e menos frequente e geralmente se manifesta com sintomas gastrointestinais como enterocolites, proctites, que são inflamações no intestino. Por último, há a forma mista como a esofagite e a gastrite eosinofílica.
Embora a recomendação seja retirar totalmente da dieta o alimento causador de alergia, é possível, em alguns casos, que o paciente volte a ingeri-lo sem problemas. "Isso ocorre principalmente em crianças, que, ao crescerem, passam a tolerar o alimento, devido principalmente ao amadurecimento do sistema imunológico do trato gastrointestinal, com a redução da absorção de proteínas alimentares que causam alergia", diz a dra. Francisca Xavier. Porém, é importante ressaltar que, embora muitas intolerâncias possam permitir algum tipo de ingestão do alimento ofensor, a hipersensibilidade alimentar ou alergias não o permitem.

Perigo
80% das alergias alimentares são causadas por 8 alimentos: leite de vaca, trigo, soja, ovo, peixe, frutos do mar, amendoim e castanhas. São mais comuns em crianças do que em adultos.

Substituições
Leite de vaca: a substituição vai depender da faixa etária. Acima dos seis meses de idade, pode ser substituído pelo leite de soja. Acima de um ano, a soja ainda é uma opção. A partir de um ano de idade, com uma dieta balanceada, estando sempre atento à inserção do cálcio na alimentação, o leite pode ser dispensado;
CLARA DE OVO: se a criança tiver uma alimentação balanceada, à base de legumes, verduras e carne, o ovo é dispensável;
TRIGO: pode ser substituído pelo fubá e pela aveia;
FRUTOS DO MAR: podem ser substituídos pelo peixe. Porém, se tiver uma alimentação balanceada, à base de legumes, verduras e carne, os frutos do mar também são dispensáveis;
SOJA: pode ser substituída por bebidas especiais, com fórmulas especiais que atendam às necessidades nutricionais do paciente. Neste caso, recomenda-se os hidrolisados proteicos.

 

Legenda: Os alimentos alérgenos mais comuns são trigo, leite de vaca, ovos, crustáceos, peixes, soja, castanhas e amendoim

 

Alimentação

Substituir evita carência nutricional

 

Os cuidados na alimentação dos alérgicos são essenciais. A dra. Francisca Xavier alerta que é preciso, para qualquer indivíduo com tais características, estar atento aos rótulos dos produtos e ser orientado por um alergologista e um nutricionista devido ao risco de deficiências nutricionais pela exclusão de alimentos e para que sejam identificados os perigos de reações devido a presença disfarçada de substâncias alergênicas.

Deve-se, por exemplo, aprender a reconhecer nomes que indicam a presença da proteína do leite de vaca - caseína, caseinato, lactoalbumina, soro de leite -, uma vez que é comum que os rótulos não estejam bem claros quanto aos ingredientes utilizados na formulação do produto.

Ingerir alimentos de origem desconhecida é sempre um perigo para os alérgicos. "Por isso, ao se alimentar fora de casa, é preciso ter alguns cuidados, como alertar aos atendentes dos estabelecimentos quanto ao potencial de gravidade de sua reação alérgica, ter o cuidado de perguntar a eles sobre os ingredientes da contidos na refeição, sempre levar consigo os medicamentos antialérgicos e, no caso da ceia de Natal e Ano Novo, opte por levar um prato seguro que possa ser apreciado por todos", aconselha a professora Ana Mary Jorge. Além disso, é importante estar continuamente se informando sobre o assunto, discutindo com o médico, lendo em sites e conscientizando familiares.

Terapia nutricional

A nutricionista explica ainda que os pilares do tratamento da alergia alimentar envolvem a exclusão dos alimentos que contenham as proteínas alergênicas e a prescrição de uma dieta substitutiva que atenda a todas as necessidades nutricionais dos pacientes. "Deve-se proporcionar a supressão da inflamação, retirando-se o estímulo antigênico determinado pelas proteínas da dieta responsáveis pelo processo alérgico", recomenda.

Quando os processos alérgicos se dão em crianças (ainda amamentando ou não), muitas mães ficam em dúvida. Como substituir o leite de vaca? É possível optar pelo leite de soja? Segundo a dra. Francisca Xavier, a soja é o substituto natural para crianças após os seis meses. "No caso das mais novas ou lactentes que também apresentam alergia à soja, existem fórmulas especiais que são fornecidas pela Secretaria de Saúde do Estado", informa.

As fórmulas extensamente hidrolisadas ou de aminoácidos garantem o sucesso do tratamento. A professora Ana Mary enfatiza ainda que, no caso de lactentes em aleitamento natural, este deve ser mantido e a mãe deve ser orientada para iniciar a uma dieta de restrição.

Atualmente há muitas opções para aqueles que apresentam alergias e intolerâncias alimentares, principalmente ao glúten, à lactose e à clara de ovo. É possível encontrar no mercado produtos como pães, bolos, bebidas e biscoitos que usam substitutos a esses alimentos (no caso do trigo pode ser usada farinha de arroz, milho, mandioca, aveia, centeio, cevada e malte), provando que, nesses casos, pode-se ter uma alimentação praticamente normal.

A exclusão de alimentos da dieta não é tarefa fácil, e a exposição acidental ocorre com certa frequência. De acordo com recomendações da ASBAI, indivíduos com alergia alimentar grave (reação anafilática) devem portar braceletes ou cartões que os identifiquem, para que cuidados médicos sejam imediatamente tomados. As reações leves desaparecem espontaneamente ou respondem aos anti-histamínicos (antialérgicos). Pacientes com histórico de reações graves devem ser orientados a portar medicamentos específicos.

Entrevista

Ana Mary Viana Jorge  
Os recém nascidos e lactentes estão mais vulneráveis às alergias?

Eles apresentam um maior risco de sensibilização se receber proteínas de leite de vaca ou outras proteínas intactas. Isso ocorre por: imaturidade digestiva (o recém nascido tem menor acidez gástrica e não digere bem a proteína do leite), hipersensibilidade da mucosa intestinal (permite a absorção de imunoglobulinas intactas que chegam do leite materno) e imaturidade imunológica (pode considerar essas proteínas como corpos estranhos). Nesta fase, há a produção diminuída de anticorpos, favorecendo a penetração de alérgenos e a ocorrência da alergia.

A exposição ao leite de vaca nos primeiros meses é, então, um fator para as alergias?

Sim. Pequenas doses de leite de vaca nos primeiros dias de vida, fato que ocorre frequentemente nas maternidades, é um fator significativo. A amamentação é bastante eficiente na prevenção à alergia ao leite de vaca e também para o desenvolvimento da tolerância oral aos alimentos. Diante disso, torna-se imprescindível esclarecer e conscientizar as gestantes sobre a importância do aleitamento materno exclusivo até o final do primeiro semestre de vida e evitar o uso desnecessário de fórmulas lácteas nas maternidades.

Quais medidas as mães podem tomar quando o aleitamento materno não for possível?

O uso de uma fórmula com proteínas extensamente hidrolisadas ou uma fórmula de aminoácidos são consideradas as melhores alternativas dietéticas, não sensibilizando o lactente jovem com proteínas intactas do leite de vaca. Quanto mais hidrolisada a proteína, maior será o seu grau de alergenicidade.

Que medidas preventivas podem ser aplicadas em lactentes?

A manutenção do aleitamento materno exclusivo até os seis meses de idade, retardando-se a introdução precoce de alimentos sólidos. Não há indicação de dietas restritivas hipoalergênicas para grávidas no último trimestre de gestação, com exceção do amendoim. Em caso de necessidade de utilizar a fórmula infantil durante o período de aleitamento, a Academia Americana de Pediatria recomenda o uso de fórmulas hipoalergênicas. O leite de vaca deve ser introduzido após o 1º ano de vida, o ovo após o 2º, o amendoim, as nozes e os peixes, após o 3º. A Sociedade Europeia de Alergia e Imunologia Pediátrica recomenda observação cuidadosa na introdução de alimentos considerados potencialmente alergênicos a partir da interrupção do aleitamento materno exclusivo e recomenda o uso de fórmulas hipoalergênicas ou hidrolisados como medida preventiva em situações onde o aleitamento não ocorre mais de forma exclusiva

PESQUISA

Medicação na terceira idade

 

Efeitos colaterais e o "morar sozinho" são fatores que determinam a não adesão de idosos ao tratamento medicamentoso

 

O aumento da prevalência das doenças crônicas não transmissíveis na idade avançada coloca os idosos no grupo etário mais medicalizado da sociedade.
Frente a essa condição, as pesquisadoras Fernanda Aparecida Cintra, Maria Elena Guariento e Lilian Akemi Miyasaki, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), investigaram a adesão ao tratamento medicamentoso entre idosos e identificaram fatores relacionados a esta adesão. A pesquisa "Adesão medicamentosa em idosos em seguimento ambulatorial" foi publicada ano passado na revista Ciência & Saúde Coletiva.
A investigação foi realizada no Hospital das Clínicas da Unicamp nos ambulatórios de Cardiologia Geral, Medicina Interna e Oftalmologia. Segundo as autoras, estas especialidades foram eleitas devido ao número elevado de idosos em seguimento terapêutico.
A pesquisa contou com a participação de 165 idosos de ambos os sexos. A maioria revelou cumprir a terapêutica medicamentosa, "possivelmente motivada pelo ´medo de agravo à saúde´ e pela ´vontade de viver", dizem as pesquisadoras.

Fatores combinados
Ao todo, 88,5% dos idosos revelaram adesão ao tratamento. Desses, 91,1% moravam acompanhados. Os idosos que moravam sozinhos apresentaram três vezes mais chance de não aderência ao tratamento. Os fatores combinados que apresentaram maior chance de predizer a não adesão à terapêutica prescrita foram: "morar sozinho" e "efeitos colaterais".
Segundo as autoras, "a participação da família ou do cuidador é importante para o cumprimento da terapêutica pelos idosos, uma vez que com o avançar da idade eles tendem a se tornar mais dependentes devido aos déficits cognitivo e fisiológico, próprios dessa fase da vida".
Além desses fatores, a pesquisa revelou que há outras causas relacionadas à não adesão ao tratamento, como consumo elevado e uso prolongado de medicamentos, desaparecimento dos sintomas, desconhecimento sobre os remédios, falta de motivação, analfabetismo e distúrbios de memória.
O alto custo das medicações também é citado como um importante fator para a não adesão ao tratamento. "O uso em doses inferiores ao que recomenda a prescrição médica por iniciativa própria, por parte dos idosos, é revelado como tentativa de “economizar” a medicação, especialmente no final dos meses. Esta conduta é motivada pelo medo da falta da medicação nas Unidades Básicas de Saúde, bem como pelas condições financeiras precárias para adquiri-la", dizem as autores. Os idosos tendem a adotar outras estratégias em função do impacto econômico causado aquisição dos remédios, por exemplo, o uso de crédito, substituição da compra de alimento pelo medicamento ou o não cumprimento do tratamento.
O estudo também chama a atenção para o número expressivo de idosos que relata queda da acuidade visual, considerando as implicações da baixa visão no cumprimento da terapêutica medicamentosa.
O total de medicamentos em uso contínuo pelos entrevistados variou entre um e 12, com média de 4,5 medicamentos por idoso. Segundo a pesquisa, a quantidade diária de medicamentos a ser consumida pode originar erros na sua administração, particularmente entre os idosos. O uso de vários comprimidos ao dia em horários distintos pode ser dificultado pelo esquecimento, trabalho e déficit cognitivo.

Legenda: O uso prolongado dos medicamentos, falta de motivação e o alto custo são questionados pelos pacientes idosos

 

HOSPGESTOR

Humanização no atendimento hospitalar através da web

Sistema desenvolve banco de dados para ensino, pesquisa e acompanhamento de pacientes

 

Gerenciar as internações cirúrgicas, organizar as rotinas de serviços, assim como as escalas dos staffs e residentes, gerar mapas cirúrgicos a distância e promover sessões clínicas na web agora são possíveis com a aplicação do Sistema HospGestor. Idealizado e desenvolvido pelo médico Traumato-Ortopedista Robson Alves no Instituto Dr. José Frota, o projeto - além de ajudar a manter equipe informada com comunicados internos eletrônicos e e-mail - representa uma mudança substancial no âmbito da rotina hospitalar e na humanização do atendimento do paciente cirúrgico e ambulatorial.

Quais fatores o levaram a desenvolver o Sistema HospGestor?

O desejo de desenvolver um software feito por médico e para médicos, compreendendo na prática as dificuldades do dia a dia. A falta de dados sobre o perfil dos nossos pacientes, do volume e gravidades das lesões e a grande quantidade de pacientes internados nos corredores da emergência e nas enfermarias, sem uma fila organizada foram os grandes motivadores do início do projeto HospGestor, que completa mais de dois anos de desenvolvimento.

A rotina hospitalar é complexa por envolver - além do acompanhamento dos pacientes em si - uma série de procedimentos administrativos essenciais. Fale-nos sobre a complexidade de um hospital do porte do IJF e da importância de se agregar recursos.

O HospGestor realiza a marcação de cirurgias on-line com a central de materiais; pedidos de materiais com a verificação via web de imagens de radiografias e aspectos da pele do paciente e suas lesões; troca de informações entre os médicos do serviço através do sistema, de forma rápida (Comunicados Internos), que tem data e hora de envio. Também a construção dos mapas cirúrgicos com antecedência de semanas ou meses, através de marcação do dia de ser operado dos pacientes ambulatoriais; alta de pacientes internados com reinternação programada. Também uma grande quantidade de benefícios pela visão de justiça e ampla troca de informações entre os usuários do sistema, que no IJF hoje, são mais de 150 pessoas (médicos staffs e residentes, enfermeiras, diretores, plantonistas, etc).

A normatização dos procedimentos cirúrgicos amplia, na maioria dos casos, redução nos custos e o tempo de internação dos pacientes. Fale-nos sobre os resultados obtidos até agora.

Com o HospGestor temos o controle de todo nosso mapa de cirurgias. A construção do mapa se faz com bastante antecedência, e com a possibilidade de alocar melhor pessoal e material. Há cerca de quatro meses estamos atingindo um bom número de cirurgias por mês: cerca de 450 cirurgias, sendo 250 eletivas (com horário programado) e 200 de emergência, chegando a ser mais do que o dobro de há 2 anos. O tempo médio de espera vem diminuindo cerca de 30% para pacientes idosos, embora ainda seja muito além do ideal. O sistema nos permite afirmar que precisamos urgente de um novo IJF e de uma forma de facilitar e aumentar o número de pacientes operados nos hospitais de apoio ao IJF, como o PSA, Santa Casa, Frotinhas e SOS. Precisamos ter uma capacidade de atender cerca de 1000 a 1100 cirurgias traumatológicas no município de Fortaleza. Os servidores do IJF estão trabalhando em níveis elevados de estresse pelo volume de pacientes do interior do Estado e mesmo da capital que não têm o seu tratamento oferecido em tempo ideal. A informática nos ajuda a provar isso e instigar a tomada de providências.

Quais as especificidades do atendimento a pacientes do setor de traumatologia? Qual a rotina diária?

O HospGestor nos permite criar um banco de dados fantástico para ensino, pesquisa e acompanhamento dos nossos pacientes. Temos em cerca de 9 meses de sistema, mais de 11 mil fotos, e cerca de 3 mil pacientes cadastrados. Sessões clínicas para discussão de casos e ensino médico ficam muito facilitadas pelo sistema. As visitas nas enfermarias são feitas com tablets na beira do leito, documentando aspectos de feridas e de deformidades observadas.

Ao implantar uma forma eficaz de gerenciamento é possível também dimensionar os níveis de satisfação da equipe?

Todos somos beneficiados pelo HospGestor, visto que a atenção ao nosso paciente, com a documentação assegurada de imagens da evolução do seu caso, as informações relevantes do seu tratamento e até o resumo de alta com todos os dados importantes da internação são disponibilizados ao nosso paciente. Os residentes demonstram claramente, bem como os staffs, a satisfação que a ordem traz para cada um. Colocar coisas em ordem demanda trabalho árduo, mas traz grandes satisfações presentes e futuras. Os residentes têm orgulho da Residência Médica quanto à organização.

Qual a importância da humanização no atendimento?

Um exemplo de humanização que o sistema nos trouxe foi a organização da fila de cirurgias dos pacientes segundo a sub-especialidade. Ou seja, temos hoje a fila organizada de quadril, joelho, fixadores externos, etc, segundo o dia de internação e a gravidade do caso. Logo, mesmo que o paciente ainda se encontre no corredor, ele tem a oportunidade de ser operado com prioridade definida pela gravidade do caso e pelo tempo de internação. Além disso, estamos fazendo agendamento de cirurgias advindas do ambulatório. Temos médicos, enfermeiras, técnicos de enfermagem e secretárias alimentando o sistema diariamente e isso demonstra o compromisso em prestar um melhor serviço ao nosso paciente do SUS.

O sistema está disponível em outro Serviço de Residência Médica?

Sim, hoje estamos no IJF também com a Buco-Maxilo-Facial (com o Dr. Mello), e no HGF no Serviço de Ortopedia (Dr Diógenes). Estamos implantando e iniciando os trabalhos nos Serviços de Ortopedia na UFC (em acordo com Dr Alberto Leite) e da Urologia do HGF (com Dr Fábio Dantas).

O projeto já foi apresentado em outros Estados ?

Em outubro desse ano tivemos a grata satisfação de apresentar uma palestra sobre o nosso sistema e a experiência do IJF como modelo de gestão de Residências Médicas utilizando uma ferramenta de tecnologia da informação. O nome do Ceará e do IJF foi exaltado e muitos nos alegra. Creio que o projeto HospGestor têm inspiração divina e vai dar certo e beneficiar muitos brasileiros ainda.

Cientistas descobrem variante de gene que aumenta o risco de Alzheimer

Cientistas descobriram que a variante de um gene associado à doença de Alzheimer impede a evacuação de placas senis do tecido cerebral, o que aumenta o risco de desenvolvimento da doença, segundo estudo publicado nesta quarta-feira pela revista "Science Translational Medicine".

As placas senis são formadas devido à acumulação de proteínas beta-amilóide, que se concentram em cúmulos ou novelos impenetráveis que afetam à transmissão entre as células nervosas do cérebro.

A descoberta serviria para explicar por que algumas pessoas sofrem maior acumulação da proteína e buscar novas maneiras para atrasar e inclusive deter a acumulação dessas placas.

Os pesquisadores identificaram vários genes que parecem aumentar o risco de Alzheimer, um deles é o gene APOE, cuja variante ApoE4 aumenta o risco e antecipa a idade de aparição da doença.

Estudos anteriores haviam sugerido que a ApoE4 contribuía para dirigir a acumulação de beta-amilóide, e agora o doutor David Holtzman, da Escola de Medicina da Washington University, e seus colaboradores revelaram o motivo.

Segundo suas pesquisas, a ApoE4 contribui para a acumulação da proteína mediante a desaceleração de sua evacuação do cérebro, o que explicaria por que algumas pessoas acumulam mais esse tipo de proteína que outras, aumentando o risco de Alzheimer.

Os autores mediram a concentração de beta-amilóide no fluido cerebral de indivíduos cognitivamente normais de menos de 70 anos de idade usando formas distintas de APOE.

A equipe descobriu que os indivíduos com ApoE4 tinham muita mais proteína beta-amilóide no cérebro que os indivíduos com as formas ApoE2 e ApoE3 (outras duas formas comuns de proteínas do gene).

Em um segundo momento, os pesquisadores estudaram as concentrações de beta-amilóide em ratos geneticamente modificados e descobriram maiores concentrações da proteína humana nos animais com ApoE4 que nos animais com as outras formas.

A equipe também observou que o cérebro dos ratos (tanto jovens como velhos) com a ApoE4 humana se desfez da beta-amilóde muito mais devagar que aqueles com as outras formas da proteína.

O Alzheimer é uma doença neurodegenerativa que afeta principalmente adultos de idade avançada, cujo principal sintoma é a perda de memória.

 

Alimentação e prevenção

Quadros enxaquecosos, gastrite, diabetes e intestino constipado são algumas das situações que podem ser tratadas com ingestão de água, atividade física regular e alimentação apropriada

 

A maioria das pessoas reconhece a importância da alimentação adequada para o bem-estar mais prolongado e uma melhor qualidade de vida. Mas o que representa uma alimentação saudável? Será que o consumo de frutas, legumes, verduras e carne magra é o suficiente?
Para muitos indivíduos, a escolha do vegetarianismo - doutrina que prega o não consumo de qualquer espécie de carne e seus derivados - é uma opção. Valesca Rabelo, farmacêutica, bioquímica e professora universitária optou ser ovo-lacto-vegetariana, abstendo-se da ingestão de carnes, mas consumindo ovos e laticínios. É bem verdade que este tipo de regime alimentar é benéfico, embora ainda não o ideal.
Quem atenta para esse fato é o clínico geral Francisco Colares Neto. Segundo o médico, tudo o que entra em nosso organismo sofre algum tipo de reação química, produzindo metabólicos. Tais compostos, classificados conforme a escala de pH em alcalinizadores ou acidificantes, são alguns dos responsáveis pelo funcionamento equilibrado ou não do corpo.
Leite e seus derivados, principalmente, o queijo e alguns vegetais e legumes - entre os quais acelga, espinafre, repolho e feijão seco - são alimentos bastante consumidos pelos adeptos do vegetarianismo e de suas ramificações, mas que, conforme Dr. Francisco Colares, merecem grande atenção. Por serem acidificantes e grandes causadores de inflamação sistêmica, estes alimentos são responsáveis por uma infinidade de doenças , como a enxaqueca. A soja, por exemplo, é um grão bastante usado por vegetarianos que o veem como algo desvinculado de riscos a saúde. Sobre o grão, Dr. Colares ressalta: "O cálcio presente na soja liga-se ao ácido fítico e vai para as fezes, sem que seja absorvido. O grão não nos permite quebrar a proteína e, dessa forma, a pessoa não absorve os aminoácidos, gerando, dentre outros problemas, desnutrição na fase adulta e déficit de crescimento, na infância".

Equilíbrio
Não existe uma única dieta perfeita para todos. O que se deve fazer é manter uma alimentação equilibrada e com determinadas adequações. No período de férias, momento necessário para que o corpo recupere as energias gastas com a correria do dia a dia, oportunidade de descontração e despreocupação com o relógio, a alimentação balanceada com os produtos adequados deve ser um ponto forte e imprescindível para quem deseja gozar de vigor e saúde.

 

Legenda: Valesca Rabelo, farmacêutica e bioquímica é ovo-lacto-vegetariana. O clínico geral Francisco Colares faz ressalvas quanto ao consumo de ovos e laticínios

 

CUIDADOS

Caça aos insetos

A ENTRADA DE INSETOS NO CANAL AUDITIVO PODE EVOLUIR E INFECTAR. CUIDADO REDOBRADO COM O USO INADEQUADO DE COTONETES

 

Imagine estar dormindo tranquilamente, aproveitando um momento de descanso, quando começa a sentir uma cocegazinha no ‘pé da orelha’ e, de repente, descobre que um inseto invadiu seu ouvido. A reação não é das melhores, muito pelo contrário: as tentativas de escapar do inseto resultam num ruído potencializado pela proximidade com o tímpano, membrana que capta as vibrações das ondas sonoras. A sensação é de que há um cavalo trotando dentro do canal auditivo. Fora isso, o barulho constante e a inquietação do bicho começam a acarretar numa forte dor de cabeça. Diante de todo esse incômodo, a única coisa que vem à mente é a dúvida sobre o que fazer para tirar aquele ser estranho de dentro do ouvido.
Pingar algumas gotas de óleo de cozinha para imobilizar o inseto e evitar que ele cause maiores danos é a primeira medida a ser tomada. Segundo recomenda o Dr. Eric Haguette, otorrinolaringologista e professor universitário de medicina, “a entrada de insetos no ouvido é muito frequente. Matar o inseto deve ser a primeira providência, pois sua presença pode machucar o tímpano, região mais sensível do ouvido". O passo seguinte é ir ao otorrinolaringologista - único profissional que possui ferramentas e técnicas seguras para sanar o problema. Afinal, o canal auditivo é um orifício muito pequeno e qualquer tentativa de retirar o animal por conta própria (com cotonetes e outros objetos) pode ser prejudicial.

A incidência de insetos que penetram os ouvidos ocorre principalmente em adultos (durante o sono). Em alguns casos, o animal pode acabar morrendo e a pessoa nem saber que está com um corpo estranho dentro de si. "Se demorar muito para retirar, pode ocasionar uma otite, inflamação na parte externa do ouvido. Se não for ao otorrino para limpar, o inseto pode se degenerar lá dentro e desencadear um processo inflamatório", destaca o médico.

Limpeza inadequada
Além de insetos, também são bastante comuns os casos de pessoas com objetos inanimados no ouvido. Nos adultos, a principal causa desse tipo de acidente é a tentativa de limpar as orelhas de forma inadequada. "Muita gente pega palito de fósforo ou de dente e enrola um pedaço de algodão para limpar o ouvido. O problema surge quando o algodão se solta dentro da cavidade. Importante: não se deve limpar o ouvido, nem com cotonete, pois ele tem um mecanismo de auto-limpeza que expulsa o excesso de cera, de sujeira".

Mas são as crianças as mais afetadas. A falta de noção do perigo e a curiosidade são responsáveis pela inserção de objetos estranhos, desde caroços de feijão, naftalina e baterias de relógios. Nesses casos, a busca de ajuda médica deve ser imediata. Os piores casos são os com sementes, pois quando se coloca água ou óleo buscando retirar o grão, ele pode inchar, tornando a saída mais difícil e causando uma dor no ouvido ainda maior. As baterias também representam um grande perigo, já que liberam substâncias corrosivas que podem levar à necrose da região afetada.

Embora seja o principal alvo de corpos estranhos, o ouvido não é o único órgão lesado por esse tipo de acidente. As narinas comportam objetos ainda maiores que os suportados pelos ouvidos e também estão na mira das crianças que, em suas brincadeiras, depositam sementes, pedrinhas e peças de brinquedos.
Muitas vezes, porém, por medo de represálias dos pais, elas acabam omitindo a presença de um objeto no nariz, ou mesmo esquecem que colocaram algum objeto no local. Assim, é prudente que os pais fiquem atentos a ocorrência de secreções amareladas, purulentas e mal-cheirosas que saem apenas do lado no qual o objeto foi inserido, sem que a criança esteja resfriada.

FIQUE POR DENTRO
Apetite de avestruz
A relação de objetos estranhos encontrados no corpo dos pacientes é bastante extensa e conta com muitos casos exóticos e que podem resultar em sérios danos à saúde. O otorrinolaringologista Eric Haguette relata que são encontrados desde bolinhas de jornal, porcas de brincos e até miçangas de colares que são introduzidas erroneamente no canal auditivo.
O médico endoscopista Wilson Meireles garante que também já observou muita coisa estranha ser engolida, o que é comprovado pelas radiografias que mostram objetos como anel, moedas, tampa de metal, prego, chaveiro, crucifixo e até mesmo escova de dente, colher e garfo. "Encontramos de tudo. Geralmente, esses objetos mais esdrúxulos são observados em pessoas com deficiência mental, mas já retirei uma fivela de cinto de um homem que estava sob o efeito de drogas." 

 

Técnica alternativa à vacina protege camundongos contra HIV

Se reação dos humanos for parecida, haverá proteção contra o vírus.
Imunoprofilaxia vetorizada se baseia na engenharia genética.

A revista "Nature", uma das principais publicações científicas do mundo, destaca na edição desta quinta-feira, 1º de dezembro, dia mundial do combate à Aids, uma nova arma contra o contágio do HIV.

Ela se chama imunoprofilaxia vetorizada (VIP, na sigla em inglês) e se oferece como uma opção mais viável que a vacina, depois de conseguir bons resultados nos testes em camundongos.

“A VIP tem um efeito similar ao da vacina, mas sem induzir o sistema imunológico a fazer o trabalho”, diz Alejandro Balazs, autor do estudo do Instituto de Tecnologia da Califórnia, nos EUA.

“Normalmente, você põe um antígeno ou uma bactéria morta, ou outra coisa dentro do corpo, e o sistema imunológico descobre como produzir um anticorpo contra ela. Nós tiramos toda essa parte da equação”, completa o pesquisador.

Um dos grandes desafios do desenvolvimento da vacina contra a Aids é inserir um agente que seja forte o suficiente para provocar uma resposta do sistema imunológico, mas que, ao mesmo tempo, não cause a doença. Por isso mesmo, ainda não existe uma vacina aprovada.

Nessa pesquisa, os cientistas resolveram ensinar o corpo a produzir os anticorpos a partir da engenharia genética. Com ajuda do AAV, um vírus pequeno e inofensivo, eles introduziram nos músculos da perna de camundongos um gene capaz de especificar a produção de anticorpos.

Com isso, o sistema imunológico dos animais passou a produzir os anticorpos desejados – contra o HIV. Em seguida, os cientistas injetaram o HIV no sangue dos camundongos e, mesmo com altas doses, eles se tornaram resistentes ao vírus.

Normalmente, camundongos não sofrem com o HIV, mas os animais dessa experiência receberam células humanas sensíveis ao vírus, de modo que seria possível determinar uma infecção, caso ela ocorresse.

Um grande 'se'
Apesar dos bons resultados, os pesquisadores ressaltam que não encontraram nenhuma cura ainda. “Se os humanos forem como os camundongos, então criamos uma maneira de proteger contra a transmissão do HIV de pessoa para pessoa. Mas esse é um grande ‘se’, e então o próximo passo é tentar descobrir se humanos se comportam como camundongos”, diz David Baltimore, chefe do laboratório, que traz no currículo o Nobel de Fisiologia e Medicina de 1975.

 

Médicos implantam em cérebro de cobaia neurônio criado em laboratório

Resultado rompe uma barreira do uso terapêutico das células-tronco.
Tecnologia conhecida como optogenética foi utilizada no estudo.

Neurônios criados em laboratório foram implantados no cérebro de camundongos adultos e conseguiram se comunicar normalmente com as demais células, como se sempre tivessem feito parte daquele corpo. A pesquisa foi descrita na edição desta semana da revista científica “Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS)”. Os neurônios foram criados a partir de células-tronco embrionárias humanas, que foram estimuladas em laboratório para tomar essa forma.

Fazer com que a célula implantada se integre ao tecido em que é colocada, como essa pesquisa da Universidade de Wisconsin, em Madison (EUA), conseguiu, é um dos maiores desafios para o uso terapêutico das células-tronco.

“Nós mostramos pela primeira vez que essas células transplantadas conseguem ouvir e falar com os neurônios vizinhos em um cérebro adulto”, afirma Jason Weick, autor do estudo.

Para conseguir fazer essa integração, a equipe de cientistas usou luz, em vez de correntes elétricas, para estimular a atividade dos neurônios. Essa tecnologia é conhecida como optogenética.

“Antes, estávamos limitados na eficiência com que conseguíamos estimular as células transplantadas. Agora, temos uma ferramenta que nos permite estimular especificamente as células humanas transplantadas, e muitas delas de maneira não invasiva”, explica Weick.

As células-tronco embrionárias, assim como as células-tronco de pluripotência induzida, podem se transformar em células de qualquer um dos 220 tipos de tecidos do corpo humano.

Câncer de laringe tem boas chances de cura, mas exige cuidados

O câncer de laringe atinge entre 8 mil e 10 mil pessoas por ano no Brasil. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), o câncer de laringe é um dos mais comuns a atingir a região da cabeça e do pescoço, representando cerca de 25% dos tumores malignos identificados nessa área. 

Estimativas do Inca apontam que ocorrem cerca de 8 mil a 10 mil casos de laringe por ano no Brasil. A laringe é um órgão responsável pela produção da voz e pela proteção das vias respiratórias. Por isso, segundo o médico, um tumor nesse órgão pode afetar tanto a voz, quanto a deglutição e a respiração de uma pessoa. Um tumor na região das cordas vocais vai causar algum grau de rouquidão. Rouquidões persistentes e progressivas são sinais de alerta para esse tipo de doença. Além de rouquidão, a pessoa pode ter dificuldades para engolir.

O câncer de laringe é um dos mais comuns a atingir a região da cabeça e pescoço, representando cerca de 25% dos tumores malignos que acometem esta área e 2% de todas as doenças malignas. Aproximadamente 2/3 desses tumores surgem na corda vocal verdadeira e 1/3 acomete a laringe supraglótica (ou seja, localizam-se acima das cordas vocais).

De acordo com os especialistas, o câncer de laringe responde muito bem ao tratamento, sendo grandes as chances de cura total. A taxa de cura nos casos de radioterapia e quimioterapia associadas ou radioterapia exclusiva são de 80%, sendo que, em 70% dos casos, a laringe é inteiramente preservada. 

Nos casos de laringectomia total, as chances de cura total do câncer caem para 40% a 50% dos casos. Já em estágios iniciais, nos quais é necessária apenas a cirurgia local, as chances de cura são de 90%.  

  Fatores de risco

Especialistas apontam que há uma clara associação entre a ingestão excessiva de álcool e o vício de fumar, com o desenvolvimento de câncer nas vias aerodigestivas superiores. O tabagismo é o maior fator de risco para o desenvolvimento do câncer de laringe.

Quando a ingestão excessiva de álcool é adicionada ao fumo, o risco aumenta para o câncer supraglótico. Pacientes com câncer de laringe que continuam a fumar e beber têm probabilidade de cura diminuída e aumento do risco de aparecimento de um segundo tumor primário na área de cabeça e pescoço.

Sintomas de Câncer de laringe

O primeiro sintoma é o indicativo da localização da lesão. Assim, odinofagia (dor de garganta) sugere tumor supraglótico e rouquidão indica tumor glótico e subglótico.

O câncer supraglótico geralmente é acompanhado de outros sinais e sintomas como a alteração na qualidade da voz, disfagia leve (dificuldade de engolir) e sensação de um "caroço" na garganta.

Nas lesões avançadas das cordas vocais, além da rouquidão, pode ocorrer dor na garganta, disfagia e dispneia (dificuldade para respirar ou falta de ar).

 

Tratamento de Câncer de laringe

O tratamento dos cânceres da cabeça e pescoço pode causar problemas nos dentes, fala e deglutição. Quanto mais precoce for o diagnóstico, maior é a possibilidade de o tratamento evitar deformidades físicas e problemas psicossociais.

Além dos resultados de sobrevida, considerações sobre a qualidade de vida dos pacientes entre as modalidades terapêuticas empregadas são muito importantes para determinar o melhor tratamento.

Entretanto, mesmo em pacientes submetidos à laringectomia total, é possível a reabilitação da voz através da utilização de próteses específicas.

De acordo com a localização e estágio do câncer, ele pode ser tratado com cirurgia e/ou radioterapia e com quimioterapia associada à radioterapia, havendo uma série de procedimentos cirúrgicos disponíveis de acordo com as características do caso e do paciente.

Em alguns casos, com o intuito de preservar a voz, a radioterapia pode ser selecionada primeiro, deixando a cirurgia para o resgate quando a radioterapia não for suficiente para controlar o tumor.

A associação da quimio e radioterapia é utilizada em protocolos de preservação de órgãos, desenvolvidos para tumores mais avançados. Os resultados na preservação da laringe têm sido positivos. Da mesma forma, novas técnicas cirúrgicas foram desenvolvidas permitindo a preservação da função da laringe, mesmo em tumores moderadamente avançados.

Incontinência urinária afeta mais as mulheres e pode causar depressão

Segundo estimativas do National Institutes of Health (institutos de saúde dos EUA), mais de 13 milhões de americanos sofrem de incontinência urinária, boa parte sem procurar tratamento. No Brasil o número também é grande. Especula-se que o problema afete 10 milhões de brasileiros ou 5% da população. 

  Especialistas esclarecem que a perda do controle da bexiga não é caracterizada como uma doença, mas como um sintoma que pode surgir por determinadas causas. Todos estão sujeitos ao problema. Entretanto, o esforço físico causado pela gestação e uma queda nos níveis de estrogênio depois da menopausa, torna a dificuldade bem mais comum entre as mulheres, especialmente entre mulheres que tiveram muitos filhos e/ou as mais idosas.

  Até o período da menopausa, a doença atinge 15% das mulheres brasileiras, enquanto que, após esta fase, a estatística sobe para 35% da população feminina, ante cerca de 8% dos homens brasileiros diagnosticados com incontinência urinária.

  Além das mulheres, crianças e idosos sofrem mais com o problema, que pode ser prevenido e tratado com exercícios ou cirurgia, nos casos mais graves. 

  A bexiga é um órgão que se expande a cada vez que se enche e é esvaziada. Na maioria das pessoas, há um completo controle sobre esse armazenamento e esvaziamento, o que não acontece entre os que sofrem com a incontinência urinária. De imediato, o indício da doença está relacionado à perda de urina durante a realização de alguma atividade que exige esforço, como exercícios físicos ou até mesmo no ato de gargalhar. Com a evolução, a perda involuntária da urina passa a ocorrer durante o dia ou no momento do sono, sem qualquer esforço associado. Em casos mais antigos, torna-se comum a ida frequente ao banheiro e a urgência para urinar em diferentes e quaisquer momentos do dia. 

São vários os fatores causadores da enfermidade, como disfunções hormonais, tabagismo, sedentarismo, obesidade, doenças do colágeno e neurológicas. Em alguns casos, a pessoa pode desenvolver depressão por conta da vergonha de expor esse problema e não busca tratamento, o que afeta negativamente a qualidade de vida do indivíduo. Por falta de informação ou até por vergonha, alguns pacientes chegam a partir para o uso constante de fraldas ou absorventes.

  Observar os sintomas é fundamental para o diagnóstico clínico, já que pode ser confirmado de acordo com os relatos do indivíduo. No entanto, se houver necessidade, são solicitados exames de urina I, ultrassom e de sangue, para verificar também se existem outras patologias associadas à incontinência urinária. 

A incontinência urinária tem cura em quase todos os casos. O tratamento implica em orientações para diminuição de peso, prática de exercícios físicos, acompanhamento com fisioterapeuta especializado em períneo e técnicas cirúrgicas específicas. Medidas simples, como evitar o aumento de peso, não fumar e praticar atividades físicas regulares. O consumo de dois litros de água por dia, o consumo de uma alimentação suficiente em fibras e não prender o xixi por períodos prolongados também evitam o problema.

 

Estudo mostra que falta de higiene bucal dificulta a gravidez

Problema na gengiva desencadeia reações que prejudicam funcionamento normal do corpo

Nem todas as dificuldades para engravidar estão relacionadas aos órgãos reprodutores femininos. Um estudo australiano aponta a falta de higiene bucal com uma das responsáveis em ajudar a dificultar a mulher a engravidar.

A falta de higiene bucal causa uma doença chamada periodontal, que se caracteriza pela inflamação na gengiva.

Quando não é tratada, ela desencadeia várias reações que prejudicam o funcionamento normal do corpo. A ela já foi atribuída o surgimento de doenças cardíacas, diabetes tipo 2 e até a baixa qualidade de esperma nos homens.

O estudo concluiu que mulheres com gengivas doentes demoram até sete meses para engravidar. Os pesquisadores australianos analisaram mais de 3.000 mulheres com inflamação no sangue proveniente da gengivite e concluiu que elas tinham dificuldade para gerar filhos.

 

Vacina contra a dengue é testada em cinco capitais brasileiras

Se aprovada, dose pode entrar no mercado em 2014, diz laboratório.
Hoje, única forma de enfrentar a doença é combater o mosquito.

Cinco capitais brasileiras – Campo Grande, Fortaleza, Goiânia, Natal e Vitória – estão participando dos testes em seres humanos de uma vacina contra a dengue. Os dados serão analisados em conjunto com os de outros países latino-americanos e asiáticos, onde a dengue também é uma epidemia. Em testes anteriores, o medicamento tem se mostrado seguro para a saúde.

Hoje o único método de prevenir a transmissão do vírus é agir sobre o Aedes aegypti, mosquito transmissor, seja com inseticidas – fumacê – ou com a eliminação dos criadouros – água parada.

Os voluntários escolhidos para a pesquisa têm entre 9 e 16 anos e são acompanhados de perto por uma equipe médica enquanto fizerem o tratamento. Dois terços dos pacientes recebem a vacina candidata e os demais tomam doses de placebo – uma substância que não tem efeito no corpo.

A vacina é composta por três doses, que devem ser dadas com intervalos de seis meses. Todos os pacientes serão observados durante o período, e qualquer caso de febre deve ser relatado aos médicos pesquisadores. O objetivo é saber quais crianças e adolescentes vão ter dengue ou não.

Para que ela seja considerada eficiente, o número – relativo – de casos de dengue entre os pacientes que tomaram a vacina precisa ser no máximo 30% do número de casos entre os que receberam doses de placebo.

“Essa premissa de 70% de eficácia foi compartilhada com alguns órgãos reguladores como, por exemplo, a Organização Mundial de Saúde”, diz o médico Pedro Garbes, diretor regional de desenvolvimento clínico na América Latina do Sanofi Pasteur, laboratório responsável pela produção da vacina.

Os voluntários precisam morar em áreas expostas ao risco de transmissão de dengue; caso contrário, é natural que nenhum deles desenvolva a doença e a pesquisa não tenha validade.

“Eu gosto de dar como exemplo uma coisa meio absurda. Você está testando uma vacina para HIV e escolhe vacinar cem freiras num convento. Dois anos depois, você volta, faz os exames e fala que a vacina funcionou muito bem. Você escolheu a população errada e se esqueceu de perguntar se elas tinham risco de adquirir a infecção”, justifica Reynaldo Dietze, professor da Universidade Federal do Espírito Santo e coordenador da pesquisa no Brasil.

Como funciona
Toda vacina é feita com material do próprio agente causador da doença – um vírus, no caso da dengue –, em forma atenuada ou morta, que serve para preparar o sistema imunológico. Após tomar a imunização, o corpo será capaz de reconhecer o vírus e terá anticorpos para combatê-lo.

A dengue tem quatro tipos de vírus diferentes que provocam os mesmos sintomas. Uma vacina tem que ser capaz de preparar o sistema imunológico para todos eles. Nessa pesquisa, os cientistas trabalharam separadamente com cada um dos tipos. É como se eles tivessem feito quatro vacinas diferentes e as misturado em uma só.

No passado, vacinas que usavam o próprio vírus da dengue provocaram uma reação muito forte nos pacientes e não foram consideradas seguras. Por isso, os cientistas recorreram à engenharia genética para colocar o material genético dos vírus da dengue em outro organismo.

“Recortou-se parte do seu genoma e se colocou essa parte do genoma deles em outro vírus: o vírus vacinal da febre amarela”, conta Pedro Garbes. Segundo o médico, a vacina da febre amarela já existe há 70 anos e é considerada bastante segura.

Caso a vacina seja aprovada, o laboratório pretende colocá-la no mercado em 2014.

Pesquisa nacional
Esse não é o único grupo de pesquisadores empenhado em elaborar uma vacina para a dengue. O Instituto Butantan, vinculado ao governo do estado de São Paulo, e a Fundação Oswaldo Cruz, do governo federal também têm projetos nesse sentido.

Alexander Precioso, diretor de testes clínicos do Instituto Butantan, coordena uma equipe que trabalha com esse objetivo, em parceria com os Institutos Nacionais de Saúde dos EUA. A primeira fase de testes começa ainda esse ano.

Para ele, não é um problema grave se alguém chegar a uma fórmula antes e não se trata de uma corrida com um único ganhador. “Todas as iniciativas são muito bem-vindas, a princípio”, diz Precioso.

“A demanda é mundial”, lembra o especialista. “Ninguém terá a capacidade de produzir todas as doses necessárias”, acrescenta.

Precioso afirma ainda que é importante para o Brasil ter uma vacina produzida por uma instituição local e com financiamento público.

“Nós acreditamos que ela terá o resultado esperado e mais adequado para o nosso país”, diz. “É claro que por ser uma produção nacional, nós temos a expectativa de que ela tenha o custo 

Pressão alta, mesmo dentro do limite normal, pode aumentar risco de AVC

Pacientes com pré-hipertensão têm risco 55% maior, diz revisão médica.
Trabalho avaliou 12 estudos feitos com 518 mil pessoas em 4 países.

Pessoas com pré-hipertensão têm um risco 55% maior de sofrer um acidente vascular cerebral (AVC) no futuro em relação a indivíduos sem histórico do problema. Além disso, pacientes com menos de 65 anos que estão na maior faixa de pré-hipertensão têm uma probabilidade 79% maior. É o que apontam pesquisadores da Faculdade de Medicina de San Diego, na Universidade da Califórnia, EUA, em uma revisão da literatura científica sobre o assunto, publicada esta semana na edição online da revista “Neurology”.

Foram compilados 12 estudos da população em geral – quatro dos EUA, cinco do Japão, dois da China e um da Índia – e usadas estatísticas para descobrir se realmente existe um maior risco de derrame em pacientes com pré-hipertensão. Juntos, os trabalhos envolveram mais de 518 mil participantes e períodos entre 2,7 e 32 anos, com ocorrências documentadas de AVC. Foram incluídos material de bibliotecas e bases de dados médicos.

A prevalência de pré-hipertensão nos estudos variou de 25% a 46%. Nos EUA, estima-se que cerca de um terço dos adultos tenha o problema. O resultado independeu de fatores como idade, sexo, etnia, diabetes, obesidade, colesterol, tabagismo, tipo de pressão arterial (sistólica ou diastólica) ou de AVC (isquêmico ou hemorrágico).

A pré-hipertensão é uma categoria clínica criada por especialistas em 2003 para descrever pacientes cuja pressão arterial está elevada, mas ainda dentro de uma faixa considerada normal. Pouco ainda se sabe sobre a real ameaça desse problema, que é definido por uma leitura de pressão sistólica (o número mais alto) entre 120 e 139 mmHg e uma leitura diastólica (o valor menor) entre 80 e 89 mm Hg.

Já a pressão alta, além de AVC, pode levar a insuficiência ou ataques cardíacos, doenças cardiovasculares e renais.

Segundo o professor de neurociências da Faculdade de San Diego Bruce Ovbiagele, e autor sênior do estudo, quanto maior for a pressão arterial, maior será o risco de doenças e morte, possivelmente já a partir da faixa normal de sangue.

Ovbiagele disse que estavam faltando evidências conclusivas sobre o tema e que novas pesquisas ainda são necessárias. Para o neurologista e diretor do Programa de Derrame em San Diego Thomas Hemmen, que não estava envolvido nesse trabalho, as informações são inovadoras.

Ao longo dos anos, a faixa de pressão arterial identificada como favorecedora de AVC e problemas cardiovasculares foi reduzida. Agora, tudo o que está acima de 115 (ou 11,5, na leitura popular) pode aumentar os riscos. Mas ainda são necessárias novas ferramentas para o diagnóstico de pré-hipertensão.

Tanto Hemmen quanto Ovbiagele concordam que há poucas evidências científicas de que tomar remédio para baixar a pressão pode prevenir derrames. Por outro lado, os dois médicos dizem que essas descobertas devem encorajar as pessoas com pressão arterial alta, mas ainda dentro da normalidade, a mudar logo de comportamento.

Jovens e adultos de meia-idade devem verificar a pressão arterial regularmente. Se forem enquadrados na faixa mais alta de pré-hipertensão, precisam tomar medidas específicas para modificar o estilo de vida, como reduzir a ingestão de sal e manter um peso normal.

 

Dicas para aproveitar o verão sem  se descuidar da saúde da pele

 O uso de protetor solar diariamente é muito importante. Todas as pessoas, independentemente da região do Brasil, e todos os trabalhadores que exercem suas atividades expostos ao sol, devem se proteger

 Neste ano, segundo dados do Inmet, Instituto Nacional de Meteorologia, o verão começa oficialmente às 02:30,  do dia 22 de dezembro. E além dos efeitos terríveis das chuvas, o brasileiro precisa se preocupar com o calor, que exige uma série de cuidados com a saúde para que a exposição ao sol não se transforme em dor de cabeça.

“Primeiro, é preciso saber que todas as pessoas, independentemente da raça ou etnia, sofrem com a exposição excessiva ao sol. Por isso, a dica é evitar o bronzeamento e utilizar sempre algum tipo de proteção quando for realizar atividades ao ar livre”, aconselha a dermatologista Cristine Carvalho, diretora do CDE – Centro de Dermatologia e Estética.

A prática de se deitar ao sol deve ser abandonada. “A mudança de cor da pele ou ‘o tom bronzeado’, após a exposição ao sol, é uma defesa do organismo, uma resposta a uma agressão, que provoca alterações que vão desde rugas e manchas até o aparecimento do câncer de pele, principalmente devido à exposição contínua ao sol”, esclarece a médica.

Segundo a dermatologista, é preciso evitar a exposição ao sol no período entre 10 horas da manhã e 4 horas da tarde, quando a intensidade dos raios solares atinge seu máximo. Crianças, idosos, pessoas de pele clara e que fizeram tatuagem ou apresentam cicatrizes recentes são os que mais sofrem com a radiação solar.

Sol, com proteção

Nos Estados Unidos, a maioria da população passa grande parte do dia dentro de casa ou se deslocando em carros particulares. Por isto, por lá, a proteção - ou a falta dela - oferecidas pelas janelas de casa ou do carro já se tornaram uma questão de saúde pública. E, em combinação com as questões de economia de energia,  Governo e sociedade têm estimulado o desenvolvimento de vidros para automóveis, edifícios comerciais e residências com fotoproteção.

“Por aqui, para ir à praia ou trabalhar sob o sol, é preciso usar filtro solar com Fator de Proteção Solar (FPS) maior que 35, esta é a proteção mínima diária preconizada pelo GBM, Grupo Brasileiro de Melanoma. O uso do fator 35 é considerado de amplo espectro contra os raios ultravioletas dos tipos UVA e UVB, e bloqueia 93% da radiação incidente. Mesmo em dias nublados, cerca de 80% dos raios UV atravessam as nuvens e a neblina. O ideal é aplicar uma porção equivalente a mais ou menos 2 gramas (e não 0,5 g como se costuma fazer) de protetor solar”, explica Cristine Carvalho, que também é chefe do Departamento de Fototerapia do Curso de Pós-Graduação em Dermatologia da Fundação Pele Saudável, Instituto BWS.

É preciso cuidado também com a luz refletida, pois a luz do sol reflete na areia, na neve, nas salinas, no concreto e na água, atingindo a pele, mesmo na sombra. “Por isto, mesmo usando o protetor solar é aconselhável usar chapéu com aba para cobrir as orelhas, óculos escuros (que protejam contra o ultravioleta) e guarda-sol de náilon”, diz a dermatologista.

Barqueiros, surfistas e pescadores devem ser especialmente diligentes porque a água é um potente refletor de radiação UV. Já os nadadores devem reaplicar o protetor solar e colocar os óculos de sol,  logo ao saírem da água.

Nada de bronzeador caseiro

“Durante a exposição solar não é aconselhável a utilização de produtos com perfumes ou outros produtos não específicos, como receitas para descoloração dos pêlos. Eles devem ser evitados, pois podem promover queimaduras e aumentar os casos de alergia, além de não protegerem contra os efeitos das radiações solares”, orienta a diretora do  CDE – Centro de Dermatologia e Estética.

“E quando o assunto é bronzeamento é preciso saber que podem ser perigosos lâmpadas de UV, câmaras e pílulas de bronzeamento. É importante utilizar somente produtos aprovados pela Anvisa, Agência Nacional de Vigilância Sanitária. No caso do filtro solar, apenas os produtos de uso tópico, em forma de creme, gel ou spray, são autorizados como cosméticos”, explica Cristine Carvalho.

A população também deve ficar atenta às fórmulas caseiras de bronzeadores, pois estes produtos oferecem riscos à saúde. “Apenas a indústria está habilitada a fabricar e oferecer esse tipo de produto às pessoas. Quando usamos fórmulas caseiras, estamos nos expondo a um risco desconhecido e sem controle. Por isto, qualquer reação adversa provocada por produtos cosméticos, após a exposição solar, deve ser comunicada imediatamente a um dermatologista”, alerta a médica.

Depois do sol

Após o período de exposição ao sol, é preciso hidratar bem a pele, para restaurar a umidade perdida, evitando o seu ressecamento. “O sol em excesso pode também desidratar e provocar queimaduras. Um problema comum no verão é a insolação. O primeiro sintoma é o desconforto. A pele fica dolorida e a pessoa pode apresentar vômitos, perda de apetite, febre e náuseas. Diante destes sintomas, o melhor é procurar imediatamente um dermatologista”, orienta Cristine Carvalho.

Nos casos de desidratação, além de procurar um médico, é preciso aumentar a ingestão de líquidos como água, chás, sucos, água de coco e até mesmo do soro oral.

Prevenção na infância

Como 50% da nossa exposição total à luz solar ocorre durante a infância é particularmente importante proteger as crianças de danos à saúde provocados pelo sol. É importante que a exposição ao sol ocorra de forma correta desde o início, porque as radiações têm efeito cumulativo. Os cuidados descritos anteriormente devem ser adotados já com os bebês, para evitar um mal maior na fase adulta.

“Os bebês devem ficar protegidos sempre que expostos ao sol, inclusive quando estiverem na cadeirinha, dentro do automóvel. Durante os passeios ao ar livre é preciso usar sempre sombrinhas no carrinho, além de proteger as crianças com chapéus e roupas apropriadas. Para usar protetor solar em crianças menores de seis meses de idade é preciso consultar o dermatologista, antes”, explica Cristine Carvalho.

 

 

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