Saiba como e
porque tratar a alergia, a hipersensibilidade ou a intolerância
alimentar
Oito
alimentos - a maioria presente nas tão esperadas festas e confraternizações
familiares - respondem por quase 80% das reações alérgicas
causadas por alimentos, afirma a presidente da Associação
Brasileira de Alergia e Imunopatologia (ASBAI), dra. Francisca Xavier de Melo
Rego. São eles: leite de vaca, trigo, soja, ovo, peixe, frutos do mar,
amendoim e castanhas.
Somente quem sofre com o problema sabe o quanto são desagradáveis
os efeitos de uma alergia alimentar. E não é apenas pelo fato de
estar proibido de consumir o tal alimento, mas também porque, se
ingerido, ele pode causar sintomas que vão desde simples coceiras e
inchaços até o mais grave e perigoso: a anafilaxia.
O risco para a alergia alimentar (AA) sofre influência de diversos
fatores que incluem a falta do efeito protetor do aleitamento materno (muitas
mães deixam de amamentar e/ou introduzem muito cedo o leite de vaca na
dieta dos pequenos), idade em que os alimentos sólidos e alergênicos
são colocados na dieta, a exposição nociva a poluentes,
principalmente à fumaça de cigarro, e parto cesáreo.
Para a médica, que presidiu recentemente o XXXVIII Congresso Brasileiro
de Alergia e Imunopatologia sediado em Fortaleza, "nas últimas décadas,
temos observado um aumento da prevalência da alergia alimentar devido,
principalmente, a essas mudanças no estilo de vida das pessoas, com a
inserção de novos hábitos alimentares, que incluem
alimentos industrializados e a diminuição do consumo de leite
materno.
O que é intolerância
Antes de se aprofundar em alergias alimentares, é importante saber
diferenciá-las das chamadas intolerâncias alimentares. Conforme a
professora do curso de Nutrição da Universidade de Fortaleza (Unifor),
mestre em bioquímica pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE),
Ana Mary Viana Jorge, "a intolerância alimentar é uma
manifestação adversa a um alimento não relacionada ao
mecanismo imunológico, mas a alterações dos processos
metabólicos de digestão e absorção de determinado
componente do alimentos. Já a alergia descreve reações
dependentes de mecanismos imunológicos IgE, sejam eles mediados ou não".
Vários são os mecanismos que levam ao desencadeamento das AAs, e
até quem nunca apresentou alguma reação a determinados
alimentos como caranguejo, por exemplo, pode, já adulto, manifestar
sintomas. Dessa forma, se o paciente possui o gen para a alergia herdado do
pai ou da mãe, a AA pode surgir em qualquer época de sua vida.
"Isso acontece, por exemplo, durante a introdução precoce
de alimentos em crianças predispostas geneticamente. No caso do leite
de vaca, elas passam a produzir muitos anticorpos IgE específicos para
as proteínas do leite e apresentarão manifestações
clínicas minutos ou horas após a introdução do
alimento", explica a dra. Francisca Xavier.
Ressalta, por isso, a importância de orientar crianças que tenham
histórico familiar de doença alérgica como forma de
prevenir ou retardar o aparecimento do quadro alérgico.
É apenas a partir do histórico familiar que o médico pode
iniciar a investigação da AA, para que o paciente possa ser
orientado na prevenção da introdução de alimentos
que são os mais frequentes provocadores de alergias (90% das alergias
alimentares em crianças são causadas por leite, trigo, ovo,
amendoim e soja, enquanto que, nos adultos, 85% são por amendoim,
nozes, peixe e mariscos), o que pode evitar ou retardar o aparecimento.
Além da avaliação do histórico clínico,
exames físicos, dieta de exclusão e teste de desencadeamento com
a proteína suspeita são as formas ideais de precisar o
aparecimento da alergia e o diferenciamento da intolerância alimentar.
Na dependência dos mecanismos imunológicos envolvidos na gênese
dos diferentes quadros de alergia alimentar, a abordagem laboratorial deve ser
distinta.
Segundo a dra. Francisca Xavier, são três os tipos de manifestações
de AA. O primeiro e mais comum, é a rápida instalação
com manifestações clínicas como urticária, edema
de face e de glote, crises de asma e anafilaxia (forma mais grave da doença,
na qual o paciente apresenta hipotensão com colapso respiratório
e cardíaco, podendo até ser fatal). O segundo é mais
tardio e menos frequente e geralmente se manifesta com sintomas
gastrointestinais como enterocolites, proctites, que são inflamações
no intestino. Por último, há a forma mista como a esofagite e a
gastrite eosinofílica.
Embora a recomendação seja retirar totalmente da dieta o
alimento causador de alergia, é possível, em alguns casos, que o
paciente volte a ingeri-lo sem problemas. "Isso ocorre principalmente em
crianças, que, ao crescerem, passam a tolerar o alimento, devido
principalmente ao amadurecimento do sistema imunológico do trato
gastrointestinal, com a redução da absorção de
proteínas alimentares que causam alergia", diz a dra. Francisca
Xavier. Porém, é importante ressaltar que, embora muitas intolerâncias
possam permitir algum tipo de ingestão do alimento ofensor, a
hipersensibilidade alimentar ou alergias não o permitem.
Perigo
80% das alergias alimentares são causadas por 8 alimentos: leite de
vaca, trigo, soja, ovo, peixe, frutos do mar, amendoim e castanhas. São
mais comuns em crianças do que em adultos.
Substituições
Leite de vaca: a substituição vai depender da faixa etária.
Acima dos seis meses de idade, pode ser substituído pelo leite de soja.
Acima de um ano, a soja ainda é uma opção. A partir de um
ano de idade, com uma dieta balanceada, estando sempre atento à inserção
do cálcio na alimentação, o leite pode ser dispensado;
CLARA DE OVO: se a criança tiver uma alimentação
balanceada, à base de legumes, verduras e carne, o ovo é dispensável;
TRIGO: pode ser substituído pelo fubá e pela aveia;
FRUTOS DO MAR: podem ser substituídos pelo peixe. Porém, se
tiver uma alimentação balanceada, à base de legumes,
verduras e carne, os frutos do mar também são dispensáveis;
SOJA: pode ser substituída por bebidas especiais, com fórmulas
especiais que atendam às necessidades nutricionais do paciente. Neste
caso, recomenda-se os hidrolisados proteicos.
Legenda:
Os alimentos alérgenos mais comuns são trigo, leite de vaca,
ovos, crustáceos, peixes, soja, castanhas e amendoim
Alimentação
Substituir
evita carência nutricional
Os
cuidados na alimentação dos alérgicos são
essenciais. A dra. Francisca Xavier alerta que é preciso, para qualquer
indivíduo com tais características, estar atento aos rótulos
dos produtos e ser orientado por um alergologista e um nutricionista devido ao
risco de deficiências nutricionais pela exclusão de alimentos e
para que sejam identificados os perigos de reações devido a
presença disfarçada de substâncias alergênicas.
Deve-se, por exemplo, aprender a reconhecer nomes que indicam a presença
da proteína do leite de vaca - caseína, caseinato, lactoalbumina,
soro de leite -, uma vez que é comum que os rótulos não
estejam bem claros quanto aos ingredientes utilizados na formulação
do produto.
Ingerir alimentos de origem desconhecida é sempre um perigo para os alérgicos.
"Por isso, ao se alimentar fora de casa, é preciso ter alguns
cuidados, como alertar aos atendentes dos estabelecimentos quanto ao potencial
de gravidade de sua reação alérgica, ter o cuidado de
perguntar a eles sobre os ingredientes da contidos na refeição,
sempre levar consigo os medicamentos antialérgicos e, no caso da ceia
de Natal e Ano Novo, opte por levar um prato seguro que possa ser apreciado
por todos", aconselha a professora Ana Mary Jorge. Além disso,
é importante estar continuamente se informando sobre o assunto,
discutindo com o médico, lendo em sites e conscientizando familiares.
Terapia nutricional
A nutricionista explica ainda que os pilares do tratamento da alergia
alimentar envolvem a exclusão dos alimentos que contenham as proteínas
alergênicas e a prescrição de uma dieta substitutiva que
atenda a todas as necessidades nutricionais dos pacientes. "Deve-se
proporcionar a supressão da inflamação, retirando-se o
estímulo antigênico determinado pelas proteínas da dieta
responsáveis pelo processo alérgico", recomenda.
Quando os processos alérgicos se dão em crianças (ainda
amamentando ou não), muitas mães ficam em dúvida. Como
substituir o leite de vaca? É possível optar pelo leite de soja?
Segundo a dra. Francisca Xavier, a soja é o substituto natural para
crianças após os seis meses. "No caso das mais novas ou
lactentes que também apresentam alergia à soja, existem fórmulas
especiais que são fornecidas pela Secretaria de Saúde do
Estado", informa.
As fórmulas extensamente hidrolisadas ou de aminoácidos garantem
o sucesso do tratamento. A professora Ana Mary enfatiza ainda que, no caso de
lactentes em aleitamento natural, este deve ser mantido e a mãe deve
ser orientada para iniciar a uma dieta de restrição.
Atualmente há muitas opções para aqueles que apresentam
alergias e intolerâncias alimentares, principalmente ao glúten,
à lactose e à clara de ovo. É possível encontrar
no mercado produtos como pães, bolos, bebidas e biscoitos que usam
substitutos a esses alimentos (no caso do trigo pode ser usada farinha de
arroz, milho, mandioca, aveia, centeio, cevada e malte), provando que, nesses
casos, pode-se ter uma alimentação praticamente normal.
A exclusão de alimentos da dieta não é tarefa fácil,
e a exposição acidental ocorre com certa frequência. De
acordo com recomendações da ASBAI, indivíduos com alergia
alimentar grave (reação anafilática) devem portar
braceletes ou cartões que os identifiquem, para que cuidados médicos
sejam imediatamente tomados. As reações leves desaparecem
espontaneamente ou respondem aos anti-histamínicos (antialérgicos).
Pacientes com histórico de reações graves devem ser
orientados a portar medicamentos específicos.
Entrevista
Ana Mary Viana Jorge
Os recém nascidos e lactentes estão mais vulneráveis
às alergias?
Eles apresentam um maior risco de sensibilização se receber
proteínas de leite de vaca ou outras proteínas intactas. Isso
ocorre por: imaturidade digestiva (o recém nascido tem menor acidez gástrica
e não digere bem a proteína do leite), hipersensibilidade da
mucosa intestinal (permite a absorção de imunoglobulinas
intactas que chegam do leite materno) e imaturidade imunológica (pode
considerar essas proteínas como corpos estranhos). Nesta fase, há
a produção diminuída de anticorpos, favorecendo a penetração
de alérgenos e a ocorrência da alergia.
A exposição ao leite de vaca nos primeiros meses é, então,
um fator para as alergias?
Sim. Pequenas doses de leite de vaca nos primeiros dias de vida, fato que
ocorre frequentemente nas maternidades, é um fator significativo. A
amamentação é bastante eficiente na prevenção
à alergia ao leite de vaca e também para o desenvolvimento da
tolerância oral aos alimentos. Diante disso, torna-se imprescindível
esclarecer e conscientizar as gestantes sobre a importância do
aleitamento materno exclusivo até o final do primeiro semestre de vida
e evitar o uso desnecessário de fórmulas lácteas nas
maternidades.
Quais medidas as mães podem tomar quando o aleitamento materno não
for possível?
O uso de uma fórmula com proteínas extensamente hidrolisadas ou
uma fórmula de aminoácidos são consideradas as melhores
alternativas dietéticas, não sensibilizando o lactente jovem com
proteínas intactas do leite de vaca. Quanto mais hidrolisada a proteína,
maior será o seu grau de alergenicidade.
Que medidas preventivas podem ser aplicadas em lactentes?
A manutenção do aleitamento materno exclusivo até os seis
meses de idade, retardando-se a introdução precoce de alimentos
sólidos. Não há indicação de dietas
restritivas hipoalergênicas para grávidas no último
trimestre de gestação, com exceção do amendoim. Em
caso de necessidade de utilizar a fórmula infantil durante o período
de aleitamento, a Academia Americana de Pediatria recomenda o uso de fórmulas
hipoalergênicas. O leite de vaca deve ser introduzido após o 1º
ano de vida, o ovo após o 2º, o amendoim, as nozes e os peixes, após
o 3º. A Sociedade Europeia de Alergia e Imunologia Pediátrica
recomenda observação cuidadosa na introdução de
alimentos considerados potencialmente alergênicos a partir da interrupção
do aleitamento materno exclusivo e recomenda o uso de fórmulas
hipoalergênicas ou hidrolisados como medida preventiva em situações
onde o aleitamento não ocorre mais de forma exclusiva
PESQUISA
Medicação
na terceira idade
Efeitos
colaterais e o "morar sozinho" são fatores
que determinam a não adesão de idosos ao
tratamento medicamentoso
O
aumento da prevalência das doenças crônicas
não transmissíveis na idade avançada
coloca os idosos no grupo etário mais medicalizado da
sociedade.
Frente a essa condição, as pesquisadoras
Fernanda Aparecida Cintra, Maria Elena Guariento e Lilian
Akemi Miyasaki, da Universidade Estadual de Campinas
(Unicamp), investigaram a adesão ao tratamento
medicamentoso entre idosos e identificaram fatores
relacionados a esta adesão. A pesquisa "Adesão
medicamentosa em idosos em seguimento ambulatorial" foi
publicada ano passado na revista Ciência & Saúde
Coletiva.
A investigação foi realizada no Hospital das
Clínicas da Unicamp nos ambulatórios de
Cardiologia Geral, Medicina Interna e Oftalmologia. Segundo
as autoras, estas especialidades foram eleitas devido ao número
elevado de idosos em seguimento terapêutico.
A pesquisa contou com a participação de 165
idosos de ambos os sexos. A maioria revelou cumprir a terapêutica
medicamentosa, "possivelmente motivada pelo ´medo
de agravo à saúde´ e pela ´vontade
de viver", dizem as pesquisadoras.
Fatores combinados
Ao todo, 88,5% dos idosos revelaram adesão ao
tratamento. Desses, 91,1% moravam acompanhados. Os idosos
que moravam sozinhos apresentaram três vezes mais
chance de não aderência ao tratamento. Os
fatores combinados que apresentaram maior chance de predizer
a não adesão à terapêutica
prescrita foram: "morar sozinho" e "efeitos
colaterais".
Segundo as autoras, "a participação da
família ou do cuidador é importante para o
cumprimento da terapêutica pelos idosos, uma vez que
com o avançar da idade eles tendem a se tornar mais
dependentes devido aos déficits cognitivo e fisiológico,
próprios dessa fase da vida".
Além desses fatores, a pesquisa revelou que há
outras causas relacionadas à não adesão
ao tratamento, como consumo elevado e uso prolongado de
medicamentos, desaparecimento dos sintomas, desconhecimento
sobre os remédios, falta de motivação,
analfabetismo e distúrbios de memória.
O alto custo das medicações também
é citado como um importante fator para a não
adesão ao tratamento. "O uso em doses inferiores
ao que recomenda a prescrição médica
por iniciativa própria, por parte dos idosos,
é revelado como tentativa de “economizar” a
medicação, especialmente no final dos meses.
Esta conduta é motivada pelo medo da falta da medicação
nas Unidades Básicas de Saúde, bem como pelas
condições financeiras precárias para
adquiri-la", dizem as autores. Os idosos tendem a
adotar outras estratégias em função do
impacto econômico causado aquisição dos
remédios, por exemplo, o uso de crédito,
substituição da compra de alimento pelo
medicamento ou o não cumprimento do tratamento.
O estudo também chama a atenção para o
número expressivo de idosos que relata queda da
acuidade visual, considerando as implicações
da baixa visão no cumprimento da terapêutica
medicamentosa.
O total de medicamentos em uso contínuo pelos
entrevistados variou entre um e 12, com média de 4,5
medicamentos por idoso. Segundo a pesquisa, a quantidade diária
de medicamentos a ser consumida pode originar erros na sua
administração, particularmente entre os
idosos. O uso de vários comprimidos ao dia em horários
distintos pode ser dificultado pelo esquecimento, trabalho e
déficit cognitivo.
Legenda:
O uso prolongado dos medicamentos, falta de motivação
e o alto custo são questionados pelos pacientes
idosos
HOSPGESTOR
Humanização
no atendimento hospitalar através da web
Sistema
desenvolve banco de dados para ensino, pesquisa e
acompanhamento de pacientes
Gerenciar
as internações cirúrgicas, organizar as
rotinas de serviços, assim como as escalas dos staffs
e residentes, gerar mapas cirúrgicos a distância
e promover sessões clínicas na web agora são
possíveis com a aplicação do Sistema
HospGestor. Idealizado e desenvolvido pelo médico
Traumato-Ortopedista Robson Alves no Instituto Dr. José
Frota, o projeto - além de ajudar a manter equipe
informada com comunicados internos eletrônicos e
e-mail - representa uma mudança substancial no
âmbito da rotina hospitalar e na humanização
do atendimento do paciente cirúrgico e ambulatorial.
Quais fatores o levaram a desenvolver o Sistema HospGestor?
O desejo de desenvolver um software feito por médico
e para médicos, compreendendo na prática as
dificuldades do dia a dia. A falta de dados sobre o perfil
dos nossos pacientes, do volume e gravidades das lesões
e a grande quantidade de pacientes internados nos corredores
da emergência e nas enfermarias, sem uma fila
organizada foram os grandes motivadores do início do
projeto HospGestor, que completa mais de dois anos de
desenvolvimento.
A rotina hospitalar é complexa por envolver - além
do acompanhamento dos pacientes em si - uma série de
procedimentos administrativos essenciais. Fale-nos sobre a
complexidade de um hospital do porte do IJF e da importância
de se agregar recursos.
O HospGestor realiza a marcação de cirurgias
on-line com a central de materiais; pedidos de materiais com
a verificação via web de imagens de
radiografias e aspectos da pele do paciente e suas lesões;
troca de informações entre os médicos
do serviço através do sistema, de forma rápida
(Comunicados Internos), que tem data e hora de envio. Também
a construção dos mapas cirúrgicos com
antecedência de semanas ou meses, através de
marcação do dia de ser operado dos pacientes
ambulatoriais; alta de pacientes internados com reinternação
programada. Também uma grande quantidade de benefícios
pela visão de justiça e ampla troca de informações
entre os usuários do sistema, que no IJF hoje, são
mais de 150 pessoas (médicos staffs e residentes,
enfermeiras, diretores, plantonistas, etc).
A normatização dos procedimentos cirúrgicos
amplia, na maioria dos casos, redução nos
custos e o tempo de internação dos pacientes.
Fale-nos sobre os resultados obtidos até agora.
Com o HospGestor temos o controle de todo nosso mapa de
cirurgias. A construção do mapa se faz com
bastante antecedência, e com a possibilidade de alocar
melhor pessoal e material. Há cerca de quatro meses
estamos atingindo um bom número de cirurgias por mês:
cerca de 450 cirurgias, sendo 250 eletivas (com horário
programado) e 200 de emergência, chegando a ser mais
do que o dobro de há 2 anos. O tempo médio de
espera vem diminuindo cerca de 30% para pacientes idosos,
embora ainda seja muito além do ideal. O sistema nos
permite afirmar que precisamos urgente de um novo IJF e de
uma forma de facilitar e aumentar o número de
pacientes operados nos hospitais de apoio ao IJF, como o PSA,
Santa Casa, Frotinhas e SOS. Precisamos ter uma capacidade
de atender cerca de 1000 a 1100 cirurgias traumatológicas
no município de Fortaleza. Os servidores do IJF estão
trabalhando em níveis elevados de estresse pelo
volume de pacientes do interior do Estado e mesmo da capital
que não têm o seu tratamento oferecido em tempo
ideal. A informática nos ajuda a provar isso e
instigar a tomada de providências.
Quais as especificidades do atendimento a pacientes do setor
de traumatologia? Qual a rotina diária?
O HospGestor nos permite criar um banco de dados fantástico
para ensino, pesquisa e acompanhamento dos nossos pacientes.
Temos em cerca de 9 meses de sistema, mais de 11 mil fotos,
e cerca de 3 mil pacientes cadastrados. Sessões clínicas
para discussão de casos e ensino médico ficam
muito facilitadas pelo sistema. As visitas nas enfermarias são
feitas com tablets na beira do leito, documentando aspectos
de feridas e de deformidades observadas.
Ao implantar uma forma eficaz de gerenciamento é possível
também dimensionar os níveis de satisfação
da equipe?
Todos somos beneficiados pelo HospGestor, visto que a atenção
ao nosso paciente, com a documentação
assegurada de imagens da evolução do seu caso,
as informações relevantes do seu tratamento e
até o resumo de alta com todos os dados importantes
da internação são disponibilizados ao
nosso paciente. Os residentes demonstram claramente, bem
como os staffs, a satisfação que a ordem traz
para cada um. Colocar coisas em ordem demanda trabalho
árduo, mas traz grandes satisfações
presentes e futuras. Os residentes têm orgulho da
Residência Médica quanto à organização.
Qual a importância da humanização no
atendimento?
Um exemplo de humanização que o sistema nos
trouxe foi a organização da fila de cirurgias
dos pacientes segundo a sub-especialidade. Ou seja, temos
hoje a fila organizada de quadril, joelho, fixadores
externos, etc, segundo o dia de internação e a
gravidade do caso. Logo, mesmo que o paciente ainda se
encontre no corredor, ele tem a oportunidade de ser operado
com prioridade definida pela gravidade do caso e pelo tempo
de internação. Além disso, estamos
fazendo agendamento de cirurgias advindas do ambulatório.
Temos médicos, enfermeiras, técnicos de
enfermagem e secretárias alimentando o sistema
diariamente e isso demonstra o compromisso em prestar um
melhor serviço ao nosso paciente do SUS.
O sistema está disponível em outro Serviço
de Residência Médica?
Sim, hoje estamos no IJF também com a
Buco-Maxilo-Facial (com o Dr. Mello), e no HGF no Serviço
de Ortopedia (Dr Diógenes). Estamos implantando e
iniciando os trabalhos nos Serviços de Ortopedia na
UFC (em acordo com Dr Alberto Leite) e da Urologia do HGF
(com Dr Fábio Dantas).
O projeto já foi apresentado em outros Estados ?
Em outubro desse ano tivemos a grata satisfação
de apresentar uma palestra sobre o nosso sistema e a experiência
do IJF como modelo de gestão de Residências Médicas
utilizando uma ferramenta de tecnologia da informação.
O nome do Ceará e do IJF foi exaltado e muitos nos
alegra. Creio que o projeto HospGestor têm inspiração
divina e vai dar certo e beneficiar muitos brasileiros
ainda.
Cientistas
descobrem variante de gene que aumenta o risco de Alzheimer
Cientistas
descobriram que a variante de um gene associado à
doença de Alzheimer impede a evacuação
de placas senis do tecido cerebral, o que aumenta o risco de
desenvolvimento da doença, segundo estudo publicado
nesta quarta-feira pela revista "Science Translational
Medicine".
As
placas senis são formadas devido à acumulação
de proteínas beta-amilóide, que se concentram
em cúmulos ou novelos impenetráveis que afetam
à transmissão entre as células nervosas
do cérebro.
A
descoberta serviria para explicar por que algumas pessoas
sofrem maior acumulação da proteína e
buscar novas maneiras para atrasar e inclusive deter a
acumulação dessas placas.
Os
pesquisadores identificaram vários genes que parecem
aumentar o risco de Alzheimer, um deles é o gene APOE,
cuja variante ApoE4 aumenta o risco e antecipa a idade de
aparição da doença.
Estudos
anteriores haviam sugerido que a ApoE4 contribuía
para dirigir a acumulação de beta-amilóide,
e agora o doutor David Holtzman, da Escola de Medicina da
Washington University, e seus colaboradores revelaram o
motivo.
Segundo
suas pesquisas, a ApoE4 contribui para a acumulação
da proteína mediante a desaceleração de
sua evacuação do cérebro, o que
explicaria por que algumas pessoas acumulam mais esse tipo
de proteína que outras, aumentando o risco de
Alzheimer.
Os
autores mediram a concentração de beta-amilóide
no fluido cerebral de indivíduos cognitivamente
normais de menos de 70 anos de idade usando formas distintas
de APOE.
A
equipe descobriu que os indivíduos com ApoE4 tinham
muita mais proteína beta-amilóide no cérebro
que os indivíduos com as formas ApoE2 e ApoE3 (outras
duas formas comuns de proteínas do gene).
Em
um segundo momento, os pesquisadores estudaram as concentrações
de beta-amilóide em ratos geneticamente modificados e
descobriram maiores concentrações da proteína
humana nos animais com ApoE4 que nos animais com as outras
formas.
A
equipe também observou que o cérebro dos ratos
(tanto jovens como velhos) com a ApoE4 humana se desfez da
beta-amilóde muito mais devagar que aqueles com as
outras formas da proteína.
O
Alzheimer é uma doença neurodegenerativa que
afeta principalmente adultos de idade avançada, cujo
principal sintoma é a perda de memória.
Alimentação
e prevenção
Quadros
enxaquecosos, gastrite, diabetes e intestino constipado são
algumas das situações que podem ser tratadas
com ingestão de água, atividade física
regular e alimentação apropriada
A
maioria das pessoas reconhece a importância da
alimentação adequada para o bem-estar mais
prolongado e uma melhor qualidade de vida. Mas o que
representa uma alimentação saudável?
Será que o consumo de frutas, legumes, verduras e
carne magra é o suficiente?
Para muitos indivíduos, a escolha do vegetarianismo -
doutrina que prega o não consumo de qualquer espécie
de carne e seus derivados - é uma opção.
Valesca Rabelo, farmacêutica, bioquímica e
professora universitária optou ser
ovo-lacto-vegetariana, abstendo-se da ingestão de
carnes, mas consumindo ovos e laticínios. É
bem verdade que este tipo de regime alimentar é benéfico,
embora ainda não o ideal.
Quem atenta para esse fato é o clínico geral
Francisco Colares Neto. Segundo o médico, tudo o que
entra em nosso organismo sofre algum tipo de reação
química, produzindo metabólicos. Tais
compostos, classificados conforme a escala de pH em
alcalinizadores ou acidificantes, são alguns dos
responsáveis pelo funcionamento equilibrado ou não
do corpo.
Leite e seus derivados, principalmente, o queijo e alguns
vegetais e legumes - entre os quais acelga, espinafre,
repolho e feijão seco - são alimentos bastante
consumidos pelos adeptos do vegetarianismo e de suas
ramificações, mas que, conforme Dr. Francisco
Colares, merecem grande atenção. Por serem
acidificantes e grandes causadores de inflamação
sistêmica, estes alimentos são responsáveis
por uma infinidade de doenças , como a enxaqueca. A
soja, por exemplo, é um grão bastante usado
por vegetarianos que o veem como algo desvinculado de riscos
a saúde. Sobre o grão, Dr. Colares ressalta:
"O cálcio presente na soja liga-se ao ácido
fítico e vai para as fezes, sem que seja absorvido. O
grão não nos permite quebrar a proteína
e, dessa forma, a pessoa não absorve os aminoácidos,
gerando, dentre outros problemas, desnutrição
na fase adulta e déficit de crescimento, na infância".
Equilíbrio
Não existe uma única dieta perfeita para
todos. O que se deve fazer é manter uma alimentação
equilibrada e com determinadas adequações. No
período de férias, momento necessário
para que o corpo recupere as energias gastas com a correria
do dia a dia, oportunidade de descontração e
despreocupação com o relógio, a
alimentação balanceada com os produtos
adequados deve ser um ponto forte e imprescindível
para quem deseja gozar de vigor e saúde.
Legenda:
Valesca Rabelo, farmacêutica e bioquímica
é ovo-lacto-vegetariana. O clínico geral
Francisco Colares faz ressalvas quanto ao consumo de ovos e
laticínios
CUIDADOS
Caça aos
insetos
A ENTRADA DE INSETOS NO CANAL AUDITIVO PODE
EVOLUIR E INFECTAR. CUIDADO REDOBRADO COM O USO INADEQUADO
DE COTONETES
Imagine
estar dormindo tranquilamente, aproveitando um momento de
descanso, quando começa a sentir uma cocegazinha no
‘pé da orelha’ e, de repente, descobre que um
inseto invadiu seu ouvido. A reação não
é das melhores, muito pelo contrário: as
tentativas de escapar do inseto resultam num ruído
potencializado pela proximidade com o tímpano,
membrana que capta as vibrações das ondas
sonoras. A sensação é de que há
um cavalo trotando dentro do canal auditivo. Fora isso, o
barulho constante e a inquietação do bicho
começam a acarretar numa forte dor de cabeça.
Diante de todo esse incômodo, a única coisa que
vem à mente é a dúvida sobre o que
fazer para tirar aquele ser estranho de dentro do ouvido.
Pingar algumas gotas de óleo de cozinha para
imobilizar o inseto e evitar que ele cause maiores danos
é a primeira medida a ser tomada. Segundo recomenda o
Dr. Eric Haguette, otorrinolaringologista e professor
universitário de medicina, “a entrada de insetos no
ouvido é muito frequente. Matar o inseto deve ser a
primeira providência, pois sua presença pode
machucar o tímpano, região mais sensível
do ouvido". O passo seguinte é ir ao
otorrinolaringologista - único profissional que
possui ferramentas e técnicas seguras para sanar o
problema. Afinal, o canal auditivo é um orifício
muito pequeno e qualquer tentativa de retirar o animal por
conta própria (com cotonetes e outros objetos) pode
ser prejudicial.
A incidência de insetos que penetram os ouvidos ocorre
principalmente em adultos (durante o sono). Em alguns casos,
o animal pode acabar morrendo e a pessoa nem saber que está
com um corpo estranho dentro de si. "Se demorar muito
para retirar, pode ocasionar uma otite, inflamação
na parte externa do ouvido. Se não for ao otorrino
para limpar, o inseto pode se degenerar lá dentro e
desencadear um processo inflamatório", destaca o
médico.
Limpeza
inadequada
Além de insetos, também são
bastante comuns os casos de pessoas com objetos inanimados
no ouvido. Nos adultos, a principal causa desse tipo de
acidente é a tentativa de limpar as orelhas de forma
inadequada. "Muita gente pega palito de fósforo
ou de dente e enrola um pedaço de algodão para
limpar o ouvido. O problema surge quando o algodão se
solta dentro da cavidade. Importante: não se deve
limpar o ouvido, nem com cotonete, pois ele tem um mecanismo
de auto-limpeza que expulsa o excesso de cera, de
sujeira".
Mas são as crianças as mais afetadas. A falta
de noção do perigo e a curiosidade são
responsáveis pela inserção de objetos
estranhos, desde caroços de feijão, naftalina
e baterias de relógios. Nesses casos, a busca de
ajuda médica deve ser imediata. Os piores casos são
os com sementes, pois quando se coloca água ou
óleo buscando retirar o grão, ele pode inchar,
tornando a saída mais difícil e causando uma
dor no ouvido ainda maior. As baterias também
representam um grande perigo, já que liberam substâncias
corrosivas que podem levar à necrose da região
afetada.
Embora seja o principal alvo de corpos estranhos, o ouvido não
é o único órgão lesado por esse
tipo de acidente. As narinas comportam objetos ainda maiores
que os suportados pelos ouvidos e também estão
na mira das crianças que, em suas brincadeiras,
depositam sementes, pedrinhas e peças de brinquedos.
Muitas vezes, porém, por medo de represálias
dos pais, elas acabam omitindo a presença de um
objeto no nariz, ou mesmo esquecem que colocaram algum
objeto no local. Assim, é prudente que os pais fiquem
atentos a ocorrência de secreções
amareladas, purulentas e mal-cheirosas que saem apenas do
lado no qual o objeto foi inserido, sem que a criança
esteja resfriada.
FIQUE
POR DENTRO
Apetite
de avestruz
A relação de objetos estranhos encontrados
no corpo dos pacientes é bastante extensa e conta com
muitos casos exóticos e que podem resultar em sérios
danos à saúde. O otorrinolaringologista Eric
Haguette relata que são encontrados desde bolinhas de
jornal, porcas de brincos e até miçangas de
colares que são introduzidas erroneamente no canal
auditivo.
O médico endoscopista Wilson Meireles garante que
também já observou muita coisa estranha ser
engolida, o que é comprovado pelas radiografias que
mostram objetos como anel, moedas, tampa de metal, prego,
chaveiro, crucifixo e até mesmo escova de dente,
colher e garfo. "Encontramos de tudo. Geralmente, esses
objetos mais esdrúxulos são observados em
pessoas com deficiência mental, mas já retirei
uma fivela de cinto de um homem que estava sob o efeito de
drogas."
Técnica alternativa
à vacina protege camundongos contra HIV
Se reação
dos humanos for parecida, haverá proteção
contra o vírus.
Imunoprofilaxia vetorizada se baseia na engenharia genética.
A revista "Nature",
uma das principais publicações científicas
do mundo, destaca na edição desta
quinta-feira, 1º de dezembro, dia mundial do combate
à Aids, uma nova arma contra o contágio do
HIV.
Ela se chama
imunoprofilaxia vetorizada (VIP, na sigla em inglês) e
se oferece como uma opção mais viável
que a vacina, depois de conseguir bons resultados nos testes
em camundongos.
“A VIP tem um efeito
similar ao da vacina, mas sem induzir o sistema imunológico
a fazer o trabalho”, diz Alejandro Balazs, autor do estudo
do Instituto de Tecnologia da Califórnia, nos EUA.
“Normalmente, você
põe um antígeno ou uma bactéria morta,
ou outra coisa dentro do corpo, e o sistema imunológico
descobre como produzir um anticorpo contra ela. Nós
tiramos toda essa parte da equação”,
completa o pesquisador.
Um dos grandes desafios do
desenvolvimento da vacina contra a Aids é inserir um
agente que seja forte o suficiente para provocar uma
resposta do sistema imunológico, mas que, ao mesmo
tempo, não cause a doença. Por isso mesmo,
ainda não existe uma vacina aprovada.
Nessa pesquisa, os
cientistas resolveram ensinar o corpo a produzir os
anticorpos a partir da engenharia genética. Com ajuda
do AAV, um vírus pequeno e inofensivo, eles
introduziram nos músculos da perna de camundongos um
gene capaz de especificar a produção de
anticorpos.
Com isso, o sistema
imunológico dos animais passou a produzir os
anticorpos desejados – contra o HIV. Em seguida, os
cientistas injetaram o HIV no sangue dos camundongos e,
mesmo com altas doses, eles se tornaram resistentes ao vírus.
Normalmente, camundongos não
sofrem com o HIV, mas os animais dessa experiência
receberam células humanas sensíveis ao vírus,
de modo que seria possível determinar uma infecção,
caso ela ocorresse.
Um grande 'se'
Apesar dos bons resultados, os pesquisadores ressaltam que não
encontraram nenhuma cura ainda. “Se os humanos forem como
os camundongos, então criamos uma maneira de proteger
contra a transmissão do HIV de pessoa para pessoa.
Mas esse é um grande ‘se’, e então o próximo
passo é tentar descobrir se humanos se comportam como
camundongos”, diz David Baltimore, chefe do laboratório,
que traz no currículo o Nobel de Fisiologia e
Medicina de 1975.
Médicos
implantam em cérebro de cobaia neurônio criado
em laboratório
Resultado rompe uma
barreira do uso terapêutico das células-tronco.
Tecnologia conhecida como optogenética foi utilizada
no estudo.
Neurônios criados em
laboratório foram implantados no cérebro de
camundongos adultos e conseguiram se comunicar normalmente
com as demais células, como se sempre tivessem feito
parte daquele corpo. A pesquisa foi descrita na edição
desta semana da revista científica “Proceedings of
the National Academy of Sciences (PNAS)”. Os neurônios
foram criados a partir de células-tronco embrionárias
humanas, que foram estimuladas em laboratório para
tomar essa forma.
Fazer com que a célula
implantada se integre ao tecido em que é colocada,
como essa pesquisa da Universidade de Wisconsin, em Madison
(EUA), conseguiu, é um dos maiores desafios para o
uso terapêutico das células-tronco.
“Nós mostramos
pela primeira vez que essas células transplantadas
conseguem ouvir e falar com os neurônios vizinhos em
um cérebro adulto”, afirma Jason Weick, autor do
estudo.
Para conseguir fazer essa
integração, a equipe de cientistas usou luz,
em vez de correntes elétricas, para estimular a
atividade dos neurônios. Essa tecnologia é
conhecida como optogenética.
“Antes, estávamos
limitados na eficiência com que conseguíamos
estimular as células transplantadas. Agora, temos uma
ferramenta que nos permite estimular especificamente as células
humanas transplantadas, e muitas delas de maneira não
invasiva”, explica Weick.
As células-tronco
embrionárias, assim como as células-tronco de
pluripotência induzida, podem se transformar em células
de qualquer um dos 220 tipos de tecidos do corpo humano.
Câncer de
laringe tem boas chances de cura, mas exige cuidados
O câncer
de laringe atinge entre 8 mil e 10 mil pessoas por ano no
Brasil. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca),
o câncer de laringe é um dos mais comuns a
atingir a região da cabeça e do pescoço,
representando cerca de 25% dos tumores malignos
identificados nessa área.
Estimativas do Inca apontam que ocorrem cerca de 8 mil a 10
mil casos de laringe por ano no Brasil. A laringe é
um órgão responsável pela produção
da voz e pela proteção das vias respiratórias.
Por isso, segundo o médico, um tumor nesse órgão
pode afetar tanto a voz, quanto a deglutição e
a respiração de uma pessoa. Um tumor na região
das cordas vocais vai causar algum grau de rouquidão.
Rouquidões persistentes e progressivas são
sinais de alerta para esse tipo de doença. Além
de rouquidão, a pessoa pode ter dificuldades para
engolir.
O câncer de laringe é um dos mais comuns a
atingir a região da cabeça e pescoço,
representando cerca de 25% dos tumores malignos que acometem
esta área e 2% de todas as doenças malignas.
Aproximadamente 2/3 desses tumores surgem na corda vocal
verdadeira e 1/3 acomete a laringe supraglótica (ou
seja, localizam-se acima das cordas vocais).
De acordo com os especialistas, o câncer de laringe
responde muito bem ao tratamento, sendo grandes as chances
de cura total. A taxa de cura nos casos de radioterapia e
quimioterapia associadas ou radioterapia exclusiva são
de 80%, sendo que, em 70% dos casos, a laringe é
inteiramente preservada.
Nos casos de laringectomia total, as chances de cura total
do câncer caem para 40% a 50% dos casos. Já em
estágios iniciais, nos quais é necessária
apenas a cirurgia local, as chances de cura são de
90%.
Fatores de risco
Especialistas apontam que há uma clara associação
entre a ingestão excessiva de álcool e o vício
de fumar, com o desenvolvimento de câncer nas vias
aerodigestivas superiores. O tabagismo é o maior
fator de risco para o desenvolvimento do câncer de
laringe.
Quando a ingestão excessiva de álcool é
adicionada ao fumo, o risco aumenta para o câncer
supraglótico. Pacientes com câncer de laringe
que continuam a fumar e beber têm probabilidade de
cura diminuída e aumento do risco de aparecimento de
um segundo tumor primário na área de cabeça
e pescoço.
Sintomas
de Câncer de laringe
O primeiro sintoma é o indicativo da localização
da lesão. Assim, odinofagia (dor de garganta) sugere
tumor supraglótico e rouquidão indica tumor glótico
e subglótico.
O câncer supraglótico geralmente é
acompanhado de outros sinais e sintomas como a alteração
na qualidade da voz, disfagia leve (dificuldade de engolir)
e sensação de um "caroço" na
garganta.
Nas lesões avançadas das cordas vocais, além
da rouquidão, pode ocorrer dor na garganta, disfagia
e dispneia (dificuldade para respirar ou falta de ar).
Tratamento
de Câncer de laringe
O tratamento dos cânceres da cabeça e pescoço
pode causar problemas nos dentes, fala e deglutição.
Quanto mais precoce for o diagnóstico, maior é
a possibilidade de o tratamento evitar deformidades físicas
e problemas psicossociais.
Além dos resultados de sobrevida, considerações
sobre a qualidade de vida dos pacientes entre as modalidades
terapêuticas empregadas são muito importantes
para determinar o melhor tratamento.
Entretanto, mesmo em pacientes submetidos à
laringectomia total, é possível a reabilitação
da voz através da utilização de próteses
específicas.
De
acordo com a localização e estágio do câncer,
ele pode ser tratado com cirurgia e/ou radioterapia e com
quimioterapia associada à radioterapia, havendo uma série
de procedimentos cirúrgicos disponíveis de
acordo com as características do caso e do paciente.
Em
alguns casos, com o intuito de preservar a voz, a
radioterapia pode ser selecionada primeiro, deixando a
cirurgia para o resgate quando a radioterapia não for
suficiente para controlar o tumor.
A
associação da quimio e radioterapia é
utilizada em protocolos de preservação de
órgãos, desenvolvidos para tumores mais avançados.
Os resultados na preservação da laringe têm
sido positivos. Da mesma forma, novas técnicas cirúrgicas
foram desenvolvidas permitindo a preservação
da função da laringe, mesmo em tumores
moderadamente avançados.
Incontinência urinária
afeta mais as mulheres e pode causar depressão
Segundo
estimativas do National Institutes of Health (institutos de
saúde dos EUA), mais de 13 milhões de
americanos sofrem de incontinência urinária,
boa parte sem procurar tratamento. No Brasil o número
também é grande. Especula-se que o problema
afete 10 milhões de brasileiros ou 5% da população.
Especialistas esclarecem que a perda do controle da bexiga não
é caracterizada como uma doença, mas como um
sintoma que pode surgir por determinadas causas. Todos estão
sujeitos ao problema. Entretanto, o esforço físico
causado pela gestação e uma queda nos níveis
de estrogênio depois da menopausa, torna a dificuldade
bem mais comum entre as mulheres, especialmente entre
mulheres que tiveram muitos filhos e/ou as mais idosas.
Até o período da menopausa, a doença
atinge 15% das mulheres brasileiras, enquanto que, após
esta fase, a estatística sobe para 35% da população
feminina, ante cerca de 8% dos homens brasileiros
diagnosticados com incontinência urinária.
Além das mulheres, crianças e idosos sofrem
mais com o problema, que pode ser prevenido e tratado com
exercícios ou cirurgia, nos casos mais graves.
A bexiga é um órgão que se expande a
cada vez que se enche e é esvaziada. Na maioria das
pessoas, há um completo controle sobre esse
armazenamento e esvaziamento, o que não acontece
entre os que sofrem com a incontinência urinária.
De imediato, o indício da doença está
relacionado à perda de urina durante a realização
de alguma atividade que exige esforço, como exercícios
físicos ou até mesmo no ato de gargalhar. Com
a evolução, a perda involuntária da
urina passa a ocorrer durante o dia ou no momento do sono,
sem qualquer esforço associado. Em casos mais
antigos, torna-se comum a ida frequente ao banheiro e a urgência
para urinar em diferentes e quaisquer momentos do dia.
São
vários os fatores causadores da enfermidade, como
disfunções hormonais, tabagismo, sedentarismo,
obesidade, doenças do colágeno e neurológicas.
Em alguns casos, a pessoa pode desenvolver depressão
por conta da vergonha de expor esse problema e não
busca tratamento, o que afeta negativamente a qualidade de
vida do indivíduo. Por falta de informação
ou até por vergonha, alguns pacientes chegam a partir
para o uso constante de fraldas ou absorventes.
Observar os sintomas é fundamental para o diagnóstico
clínico, já que pode ser confirmado de acordo
com os relatos do indivíduo. No entanto, se houver
necessidade, são solicitados exames de urina I,
ultrassom e de sangue, para verificar também se
existem outras patologias associadas à incontinência
urinária.
A
incontinência urinária tem cura em quase todos
os casos. O tratamento implica em orientações
para diminuição de peso, prática de
exercícios físicos, acompanhamento com
fisioterapeuta especializado em períneo e técnicas
cirúrgicas específicas. Medidas simples, como
evitar o aumento de peso, não fumar e praticar
atividades físicas regulares. O consumo de dois
litros de água por dia, o consumo de uma alimentação
suficiente em fibras e não prender o xixi por períodos
prolongados também evitam o problema.
Estudo mostra que falta
de higiene bucal dificulta a gravidez
Problema na
gengiva desencadeia reações que prejudicam
funcionamento normal do corpo
Nem todas as dificuldades
para engravidar estão relacionadas aos órgãos
reprodutores femininos. Um estudo australiano aponta a falta
de higiene bucal com uma das responsáveis em ajudar a
dificultar a mulher a engravidar.
A falta de higiene bucal
causa uma doença chamada periodontal, que se
caracteriza pela inflamação na gengiva.
Quando não é
tratada, ela desencadeia várias reações
que prejudicam o funcionamento normal do corpo. A ela já
foi atribuída o surgimento de doenças cardíacas,
diabetes tipo 2 e até a baixa qualidade de esperma
nos homens.
O estudo concluiu que
mulheres com gengivas doentes demoram até sete meses
para engravidar. Os pesquisadores australianos analisaram
mais de 3.000 mulheres com inflamação no
sangue proveniente da gengivite e concluiu que elas tinham
dificuldade para gerar filhos.
Vacina contra a dengue é
testada em cinco capitais brasileiras
Se aprovada, dose
pode entrar no mercado em 2014, diz laboratório.
Hoje, única forma de enfrentar a doença
é combater o mosquito.
Cinco capitais brasileiras
– Campo Grande, Fortaleza, Goiânia, Natal e Vitória
– estão participando dos testes em seres humanos de
uma vacina contra a dengue. Os dados serão analisados
em conjunto com os de outros países latino-americanos
e asiáticos, onde a dengue também é uma
epidemia. Em testes anteriores, o medicamento tem se
mostrado seguro para a saúde.
Hoje o único método
de prevenir a transmissão do vírus é
agir sobre o Aedes aegypti, mosquito transmissor, seja com
inseticidas – fumacê – ou com a eliminação
dos criadouros – água parada.
Os voluntários
escolhidos para a pesquisa têm entre 9 e 16 anos e são
acompanhados de perto por uma equipe médica enquanto
fizerem o tratamento. Dois terços dos pacientes
recebem a vacina candidata e os demais tomam doses de
placebo – uma substância que não tem efeito
no corpo.
A vacina é composta
por três doses, que devem ser dadas com intervalos de
seis meses. Todos os pacientes serão observados
durante o período, e qualquer caso de febre deve ser
relatado aos médicos pesquisadores. O objetivo
é saber quais crianças e adolescentes vão
ter dengue ou não.
Para que ela seja
considerada eficiente, o número – relativo – de
casos de dengue entre os pacientes que tomaram a vacina
precisa ser no máximo 30% do número de casos
entre os que receberam doses de placebo.
“Essa premissa de 70% de
eficácia foi compartilhada com alguns órgãos
reguladores como, por exemplo, a Organização
Mundial de Saúde”, diz o médico Pedro Garbes,
diretor regional de desenvolvimento clínico na América
Latina do Sanofi Pasteur, laboratório responsável
pela produção da vacina.
Os voluntários
precisam morar em áreas expostas ao risco de
transmissão de dengue; caso contrário,
é natural que nenhum deles desenvolva a doença
e a pesquisa não tenha validade.
“Eu gosto de dar como
exemplo uma coisa meio absurda. Você está
testando uma vacina para HIV e escolhe vacinar cem freiras
num convento. Dois anos depois, você volta, faz os
exames e fala que a vacina funcionou muito bem. Você
escolheu a população errada e se esqueceu de
perguntar se elas tinham risco de adquirir a infecção”,
justifica Reynaldo Dietze, professor da Universidade Federal
do Espírito Santo e coordenador da pesquisa no
Brasil.
Como funciona
Toda vacina é feita com material do próprio
agente causador da doença – um vírus, no
caso da dengue –, em forma atenuada ou morta, que serve
para preparar o sistema imunológico. Após
tomar a imunização, o corpo será capaz
de reconhecer o vírus e terá anticorpos para
combatê-lo.
A dengue tem quatro tipos
de vírus diferentes que provocam os mesmos sintomas.
Uma vacina tem que ser capaz de preparar o sistema imunológico
para todos eles. Nessa pesquisa, os cientistas trabalharam
separadamente com cada um dos tipos. É como se eles
tivessem feito quatro vacinas diferentes e as misturado em
uma só.
No passado, vacinas que
usavam o próprio vírus da dengue provocaram
uma reação muito forte nos pacientes e não
foram consideradas seguras. Por isso, os cientistas
recorreram à engenharia genética para colocar
o material genético dos vírus da dengue em
outro organismo.
“Recortou-se parte do
seu genoma e se colocou essa parte do genoma deles em outro
vírus: o vírus vacinal da febre amarela”,
conta Pedro Garbes. Segundo o médico, a vacina da
febre amarela já existe há 70 anos e é
considerada bastante segura.
Caso a vacina seja
aprovada, o laboratório pretende colocá-la no
mercado em 2014.
Pesquisa nacional
Esse não é o único grupo de
pesquisadores empenhado em elaborar uma vacina para a
dengue. O Instituto Butantan, vinculado ao governo do estado
de São Paulo, e a Fundação Oswaldo
Cruz, do governo federal também têm projetos
nesse sentido.
Alexander Precioso,
diretor de testes clínicos do Instituto Butantan,
coordena uma equipe que trabalha com esse objetivo, em
parceria com os Institutos Nacionais de Saúde dos
EUA. A primeira fase de testes começa ainda esse ano.
Para ele, não
é um problema grave se alguém chegar a uma fórmula
antes e não se trata de uma corrida com um único
ganhador. “Todas as iniciativas são muito
bem-vindas, a princípio”, diz Precioso.
“A demanda é
mundial”, lembra o especialista. “Ninguém terá
a capacidade de produzir todas as doses necessárias”,
acrescenta.
Precioso afirma ainda que
é importante para o Brasil ter uma vacina produzida
por uma instituição local e com financiamento
público.
“Nós acreditamos
que ela terá o resultado esperado e mais adequado
para o nosso país”, diz. “É claro que por
ser uma produção nacional, nós temos a
expectativa de que ela tenha o custo
Pressão alta, mesmo dentro
do limite normal, pode aumentar risco de AVC
Pacientes com pré-hipertensão
têm risco 55% maior, diz revisão médica.
Trabalho avaliou 12 estudos feitos com 518 mil pessoas em 4
países.
Pessoas com pré-hipertensão
têm um risco 55% maior de sofrer um acidente vascular
cerebral (AVC) no futuro em relação a indivíduos
sem histórico do problema. Além disso,
pacientes com menos de 65 anos que estão na maior
faixa de pré-hipertensão têm uma
probabilidade 79% maior. É o que apontam
pesquisadores da Faculdade de Medicina de San Diego, na
Universidade da Califórnia, EUA, em uma revisão
da literatura científica sobre o assunto, publicada
esta semana na edição online da revista
“Neurology”.
Foram compilados 12 estudos da
população em geral – quatro dos EUA, cinco
do Japão, dois da China e um da Índia – e
usadas estatísticas para descobrir se realmente
existe um maior risco de derrame em pacientes com pré-hipertensão.
Juntos, os trabalhos envolveram mais de 518 mil
participantes e períodos entre 2,7 e 32 anos, com
ocorrências documentadas de AVC. Foram incluídos
material de bibliotecas e bases de dados médicos.
A prevalência de pré-hipertensão
nos estudos variou de 25% a 46%. Nos EUA, estima-se que
cerca de um terço dos adultos tenha o problema. O
resultado independeu de fatores como idade, sexo, etnia,
diabetes, obesidade, colesterol, tabagismo, tipo de pressão
arterial (sistólica ou diastólica) ou de AVC
(isquêmico ou hemorrágico).
A pré-hipertensão
é uma categoria clínica criada por
especialistas em 2003 para descrever pacientes cuja pressão
arterial está elevada, mas ainda dentro de uma faixa
considerada normal. Pouco ainda se sabe sobre a real ameaça
desse problema, que é definido por uma leitura de
pressão sistólica (o número mais alto)
entre 120 e 139 mmHg e uma leitura diastólica (o
valor menor) entre 80 e
89 mm
Hg.
Já a pressão alta, além
de AVC, pode levar a insuficiência ou ataques cardíacos,
doenças cardiovasculares e renais.
Segundo o professor de neurociências
da Faculdade de San Diego Bruce Ovbiagele, e autor sênior
do estudo, quanto maior for a pressão arterial, maior
será o risco de doenças e morte, possivelmente
já a partir da faixa normal de sangue.
Ovbiagele disse que estavam
faltando evidências conclusivas sobre o tema e que
novas pesquisas ainda são necessárias. Para o
neurologista e diretor do Programa de Derrame
em San Diego Thomas
Hemmen, que não estava envolvido nesse trabalho, as
informações são inovadoras.
Ao longo dos anos, a faixa de pressão
arterial identificada como favorecedora de AVC e problemas
cardiovasculares foi reduzida. Agora, tudo o que está
acima de 115 (ou 11,5, na leitura popular) pode aumentar os
riscos. Mas ainda são necessárias novas
ferramentas para o diagnóstico de pré-hipertensão.
Tanto Hemmen quanto Ovbiagele
concordam que há poucas evidências científicas
de que tomar remédio para baixar a pressão
pode prevenir derrames. Por outro lado, os dois médicos
dizem que essas descobertas devem encorajar as pessoas com
pressão arterial alta, mas ainda dentro da
normalidade, a mudar logo de comportamento.
Jovens e adultos de meia-idade
devem verificar a pressão arterial regularmente. Se
forem enquadrados na faixa mais alta de pré-hipertensão,
precisam tomar medidas específicas para modificar o
estilo de vida, como reduzir a ingestão de sal e
manter um peso normal.
Dicas
para aproveitar o verão sem se descuidar da saúde
da pele
O uso de protetor solar
diariamente é muito importante. Todas as pessoas,
independentemente da região do Brasil, e todos os
trabalhadores que exercem suas atividades expostos ao sol,
devem se proteger
Neste
ano, segundo dados do Inmet, Instituto Nacional de
Meteorologia, o verão começa oficialmente
às 02:30, do dia 22 de dezembro. E além
dos efeitos terríveis das chuvas, o brasileiro
precisa se preocupar com o calor, que exige uma série
de cuidados com a saúde para que a exposição
ao sol não se transforme em dor de cabeça.
“Primeiro,
é preciso saber que todas as pessoas,
independentemente da raça ou etnia, sofrem com a
exposição excessiva ao sol. Por isso, a dica
é evitar o bronzeamento e utilizar sempre algum tipo
de proteção quando for realizar atividades ao
ar livre”, aconselha a dermatologista Cristine Carvalho,
diretora do CDE – Centro de Dermatologia e Estética.
A
prática de se deitar ao sol deve ser abandonada. “A
mudança de cor da pele ou ‘o tom bronzeado’, após
a exposição ao sol, é uma defesa do
organismo, uma resposta a uma agressão, que provoca
alterações que vão desde rugas e
manchas até o aparecimento do câncer de pele,
principalmente devido à exposição contínua
ao sol”, esclarece a médica.
Segundo
a dermatologista, é preciso evitar a exposição
ao sol no período entre 10 horas da manhã e 4
horas da tarde, quando a intensidade dos raios solares
atinge seu máximo. Crianças, idosos, pessoas
de pele clara e que fizeram tatuagem ou apresentam
cicatrizes recentes são os que mais sofrem com a
radiação solar.
Sol,
com proteção
Nos
Estados Unidos, a maioria da população passa
grande parte do dia dentro de casa ou se deslocando em
carros particulares. Por isto, por lá, a proteção
- ou a falta dela - oferecidas pelas janelas de casa ou do
carro já se tornaram uma questão de saúde
pública. E, em combinação com as questões
de economia de energia, Governo e sociedade têm estimulado
o desenvolvimento de vidros para automóveis, edifícios
comerciais e residências com fotoproteção.
“Por
aqui, para ir à praia ou trabalhar sob o sol,
é preciso usar filtro solar com Fator de Proteção
Solar (FPS) maior que 35, esta é a proteção
mínima diária preconizada pelo GBM, Grupo
Brasileiro de Melanoma. O uso do fator 35 é
considerado de amplo espectro contra os raios ultravioletas
dos tipos UVA e UVB, e bloqueia 93% da radiação
incidente. Mesmo em dias nublados, cerca de 80% dos raios UV
atravessam as nuvens e a neblina. O ideal é aplicar
uma porção equivalente a mais ou menos
2 gramas
(e não
0,5 g
como se costuma fazer) de protetor solar”, explica
Cristine Carvalho, que também é chefe do
Departamento de Fototerapia do Curso de Pós-Graduação
em Dermatologia da Fundação Pele Saudável,
Instituto BWS.
É
preciso cuidado também com a luz refletida, pois a
luz do sol reflete na areia, na neve, nas salinas, no
concreto e na água, atingindo a pele, mesmo na
sombra. “Por isto, mesmo usando o protetor solar é
aconselhável usar chapéu com aba para cobrir
as orelhas, óculos escuros (que protejam contra o
ultravioleta) e guarda-sol de náilon”, diz a
dermatologista.
Barqueiros,
surfistas e pescadores devem ser especialmente diligentes
porque a água é um potente refletor de radiação
UV. Já os nadadores devem reaplicar o protetor solar
e colocar os óculos de sol, logo ao saírem
da água.
Nada
de bronzeador caseiro
“Durante
a exposição solar não é aconselhável
a utilização de produtos com perfumes ou
outros produtos não específicos, como receitas
para descoloração dos pêlos. Eles devem
ser evitados, pois podem promover queimaduras e aumentar os
casos de alergia, além de não protegerem
contra os efeitos das radiações solares”,
orienta a diretora do CDE – Centro de Dermatologia e
Estética.
“E
quando o assunto é bronzeamento é preciso
saber que podem ser perigosos lâmpadas de UV, câmaras
e pílulas de bronzeamento. É importante
utilizar somente produtos aprovados pela Anvisa, Agência
Nacional de Vigilância Sanitária. No caso do
filtro solar, apenas os produtos de uso tópico, em
forma de creme, gel ou spray, são autorizados como
cosméticos”, explica Cristine Carvalho.
A
população também deve ficar atenta
às fórmulas caseiras de bronzeadores, pois
estes produtos oferecem riscos à saúde.
“Apenas a indústria está habilitada a
fabricar e oferecer esse tipo de produto às pessoas.
Quando usamos fórmulas caseiras, estamos nos expondo
a um risco desconhecido e sem controle. Por isto, qualquer
reação adversa provocada por produtos cosméticos,
após a exposição solar, deve ser
comunicada imediatamente a um dermatologista”, alerta a médica.
Depois
do sol
Após
o período de exposição ao sol, é
preciso hidratar bem a pele, para restaurar a umidade
perdida, evitando o seu ressecamento. “O sol em excesso
pode também desidratar e provocar queimaduras. Um
problema comum no verão é a insolação.
O primeiro sintoma é o desconforto. A pele fica
dolorida e a pessoa pode apresentar vômitos, perda de
apetite, febre e náuseas. Diante destes sintomas, o
melhor é procurar imediatamente um dermatologista”,
orienta Cristine Carvalho.
Nos
casos de desidratação, além de procurar
um médico, é preciso aumentar a ingestão
de líquidos como água, chás, sucos,
água de coco e até mesmo do soro oral.
Prevenção
na infância
Como
50% da nossa exposição total à luz
solar ocorre durante a infância é
particularmente importante proteger as crianças de
danos à saúde provocados pelo sol. É
importante que a exposição ao sol ocorra de
forma correta desde o início, porque as radiações
têm efeito cumulativo. Os cuidados descritos
anteriormente devem ser adotados já com os bebês,
para evitar um mal maior na fase adulta.
“Os
bebês devem ficar protegidos sempre que expostos ao
sol, inclusive quando estiverem na cadeirinha, dentro do
automóvel. Durante os passeios ao ar livre é
preciso usar sempre sombrinhas no carrinho, além de
proteger as crianças com chapéus e roupas
apropriadas. Para usar protetor solar em crianças
menores de seis meses de idade é preciso consultar o
dermatologista, antes”, explica Cristine Carvalho.